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Politeísmo Grego -Enquete "Religiões que lhe atraem"

Olá pessoal, tudo bem com vocês?
Hoje quero falar um pouco sobre o Politeísmo Grego, o qual foi escolhido em primeiro lugar na enquete realizada há algum tempo atrás.
 No politeísmo grego, temos 3 momentos que marcam esta religião; alguns marcam como 4 momentos ao todo, mas, quais são eles?
Período Pré-Minóico:
No início, bem nos primórdios do povo grego (anterior a junção dos mesmos e criação de sociedades), as pessoas viviam em centros familiares, como pequenas fazendas, onde algumas famílias dividiam um mesmo terreno, e com o tempo, começaram a surgir pequenos centros populacionais e a se expandir; as primeiras cidades foram fundadas pelo que hoje conhecemos por heróis (Herácles, Teseu, etc) e estes pequenos centros cultuavam estes heróis como pessoas divinizadas pelos seus atos; afinal, eram fundadores de cidades e eram portadores de atos que nenhuma pessoa comum poderia realizar, tal como enfrentar criaturas e bestas mitológicas.
Período Minóico:
Com o tempo, a hierarquia se moldou e adquiriu a forma que conhecemos, acima de todos estavam os monarcas, grandes proprietários de terra e ricos, vivendo em seus palácios repletos de luxo e riquezas. Não se sabe exatamente ao certo, mas nestes palácios, principalmente na ilha de Creta (cujo o governante era Minos, daí se origina o nome do período), surgiram divindades e o início de crença de árvores sagradas, terras místicas, etc.
Como as mulheres eram consideradas sagradas ao ponto de vista social; principalmente pela gestação e por gerar vida dentro de si, assim como a própria menstruação, tudo isso era visado como o lado fértil e daí se originou a base de que a Terra era uma mulher (Gaia), por sua fertilidade e vida gerada. Com o tempo, logo surgiram divindades, tais como Athena e Hera, e posteriormente Zeus; entretanto, o culto à Hera e Athenas eram muito praticados pela fertilidade que geravam (tanto nas mulheres como nas plantações e solo). A diferença principal era que por terem sido originados no palácio, a crença dizia que os deuses eram palacianos e serviam somente aos palacianos, sendo que não atenderiam plebeus em suas preces.
Período Micênico:
A cidade de Thira, onde um dos governantes era Micenas; sofreu com a invasão dos povos indo-germânicos vindos do Norte, apesar de terem vencido a invasão e derrotado o inimigo, acabaram por se deparar com alguns choques ideológicos; o principal (e de maior constraste) foi a super-valorização do homem, o homem estava acima das mulheres, elas deviam ser submissas ao marido, ou acatar às ordens do pai quando solteiras. Durante a guerra, a crença dos deuses palacianos foi introduzida na sociedade através dos que fugiam de seus palácios, mas ainda assim, não era uma crença generalizada; com esta ideologia indo-germânica, Zeus assumiu o seu trono de poder e seus irmãos e descendentes o antecederam, e as mulheres, aos pés dos mesmos.
Período Homérico e Pós-Homérico:
Iniciado a partir da obra "A Íliada"; Homero retirou um pouco de cada crença das 3 anteriores e as fundiu em um único conjunto, de forma que não houvesse perca de nenhuma delas.
Homero adotou principalmente o sistema de deuses e os juntou principalmente em 12 divindades principais (os Olimpianos), tais divindades haviam sido criadas no período Minóico, a única diferença foi que Homero explicou o nascimento de cada deus, tendo assim um surgimento racional, não uma aparição vinda do nada.
Utilizu também a ideologia Micênica, onde o homem era superior, mas em contraste com sua época, as mulheres haviam se tornado algo mais de simples subordinadas; desta forma, as deusas estavam subordinadas aos maridos, mas quando solteiras, eram livres e detinham poderes inimagináveis.
É claro que não se perdeu a crença Heróica, os heróis foram relembrados e imortalizados em sagas de suas aventuras épicas e tratados como filhos dos deuses; detentores de poderes, mas abaixo dos deuses.
Com o tempo, esta nova crença difundida por Homero passou a ser adotada e o sistema de 12 deuses primordiais foi adotado pela população e já não haviam mais deuses que não atendessem aos plebeus ou somente aos palacianos, os deuses "eram" de todos.

Reflexos desta nova crença:
Esta crença introduzida por Homero tomou forças espantosas e logo se apoderou da sociedade grega e as cidades passaram a se desenvolver, tornar-se grandes centros metropolitanos e alguns homenageavam aos deuses através do nome da cidade e o deus seria o patrono da população (Atenas por exemplo).
Cada cidade passou a ter um deus patrono, alguns com mais fé do que outros, mas sempre seguiam a crença Homérica, apesar de elevarem algum deus acima dos outros.
Dois bons exemplos que podemos citar é a cidade de Delfos e de Atenas, a primeira possuía Apollo como patrono e a segunda possuía Athena; ambos eram deuses muito aceitos e cultuados na época. Em contraste, temos Esparta, onde o patrono era Ares e ele era tratado acima de Zeus, e na sociedade grega, Ares sempre foi o desgosto dos deuses e da população.

Formas de culto:
As formas de culto eram as mais variadas possíveis; cada deus poderia ser cultuada de várias formas, dezenas, talvez centenas; era algo muito amplo e complexo.
Templos foram erguidos para os deuses, mas ao contrário do que muitos pensam hoje e do comum de nossa sociedade, os templos nunca foram o centro principal de culto.
Hoje, quando ouvimos ou lemos sobre um templo grego, errôneamente os associamos 100% idêntico a uma igreja; entretanto, o templo possuía outra utilidade.
Os templos possuíam sacerdotes treinados nas artes da magia e do culto divino do deus ao qual o templo era destinado; entre estes sacerdotes, havia o sacerdote principal, que comandava todo o resto e o próprio templo. Por sua vez, o templo era utilizado principalmente para coordenar as datas festivas da região; os sacerodotes abrigavam as pessoas que iam ao templo nestas épocas, mantinham a limpeza, as oferendas obrigatórias que deviam sempre ser repostas assim como seguir a "agenda" para que tudo fosse feito em seu tempo certo e não se tornasse uma confusão.
Fora das épocas festivas, os templos eram utilizados somente para o agrado do deus, sempre com oferendas e banquetes; mas para a população, era um local para pagamento de promessas, se a sua promessa foi realizada, o pagamento devia ser feito em forma de oferenda e entregue no templo, e é claro, algumas vezes, fieis podiam pergrinar até o templo em momentos de aflição para uma prece, na crença de que seriam melhores ouvidos pelo deus.
O comum na crença grega era:
-O sistema dos titãs e dos deuses
-Os 12 deuses primordiais
-O patrono da cidade
-O patrono da residência
Cada residência possuia pelo menos dois patronos, os quais eram agradados periódicamente com oferendas; rituais eram feitos na casa e eram comandados pelo chefe familiar (seja homem ou não) e ali mesmo eram feitas as preces e oferendas.

PS: PELO FATO DE OS GREGOS FAZEREM ISSO, NÃO TENTE FAZER O MESMO, SEJA NA SUA CASA OU NÃO; ELES POSSUÍAM REGRAS RIGOROSAS PARA PODEREM PREPARAR A CASA PARA OS RITUAIS E A PRÁTICA DOS MESMOS. ALÉM DO FATO DE NÃO SER FEITO PRÓPRIAMENTE DITO DENTRO DA RESIDÊNCIA.

Resistência entre crenças:
Entre o período Pré-Minóico e Minóico, óbviamente houve resistência da nova crença imposta pelos palacianos. Os plebeus detinham crenças nos heróis, os palacianos em deuses, quem era o correto?
Uma das histórias que demosntram esta resistência (nas entre-linhas históricas) é o conto de Teseu e o Minotauro. O fato contido é que Teseu entra no palácio de Minos para matar o Minotauro e o herói realiza a tarefa. Se analisarmos minuciosamente, Teseu, um herói cultuado pelos plebeus está em uma missão que vai contra o desejo de Athena, uma deusa palaciana; este é o primeiro conflito entre as crenças gregas; socialmente falando, é uma pova de que os palacianos necessitavam da plebe de qualquer forma para a sua sobrevivência, pois quando o Minotauro põe em risco a vida palaciana, um plebeu (Teseu) é enviado para ajudá-los.

Tenham uma ótima Sexta-Feira e um bom fim de semana, pois eu já terei o meu, assistindo Thor! Aqui é assim, além de mitologia, é Marvel na veia, rs. Abraços enormes!
Escrito por Felipe M.

Origem dos deuses celtas

Olá pessoas, aqui neste post eu falarei sobre como os deuses celtas se originaram e algumas semelhanças com outras religiões politeístas.
Como já foi dito aqui anteriormente, a tribo de Danna e os Fomore eram as tribos divinas, enquanto um caracterizava a bondade e a luz, a outra simbolizava o mau e as trevas de um modo geral. Os Fomore, pelo que constam as lendas e epopéias celtas, foram os primeiros seres "humanos" a existirem; isso ocorre pelo fato de eles terem se originado junto com o solo da Terra, brotando como plantas e um solo fértil.
De alguma forma, os celtas não citam como, o ser humano nasceu; talvez evolução ou obra da própria mãe Terra, já que os deuses ainda não existiam neste período. Conta-se que a Terra era imersa em pura escuridão em ausência do Sol, onde a noite reinava e a vida seguia seu curso conforme lhe era possível; mais para frente, alguns anos (centenas passadas), surgem quase que misteriosamente uma tribo que é constituída de seres divinos e poderosos que trariam o que o ser humano necessitava para uma vida boa, alegre e fértil; esta é a tribo de Danna.
Mas, como Danna surgiu? Como ela poderia ser considerada uma deusa? Por que os que vieram depois dela e seus antecedentes eram deuses?
Voltando a muitos anos atrás, conta-se uma lenda celta a qual muitos chamam de "O Nascimento dos Deuses" (existem muitos nomes, depende da tribo que contava, dos livros e historiadores); apesar de o título se diferenciar, a essência é idêntica.
Uma pequena tribo de homens vivia isolada em um lugar muito distante, citada como uma ilha cuja localidade é desconhecida. Cada homem tinha um conhecimento diferente do outro, um era grande cozinheiro, outro um grande construtor, grande ferreiro, etc., certa vez, eles se uniram e através da ajuda da Grande Mãe (Terra), eles moldaram uma mulher da terra e barro e dela, se originaram outras; assim, a tribo aumentava, mas a doença os atingia como qualquer ser humano comum, em uma reunião entre os integrantes, eles tentaram arranjar uma forma de não serem atingidos pela fome, pobreza, tristeza, doença e morte.
Como eles conseguiriam? Era o que todos se perguntavam, porém, cada um prometeu dar o melhor de si em suas ciências e arranjar a resposta. Durantes dias, semanas e meses, cada um trabalhou sozinho e dava o melhor de si para realizarem o objetivo. Foi então que o cozinheiro descobriu uma receita mágica!
Ele preparou cervejas para todos os integrantes e cada um bebeu um farto caneco, nem mais, nem menos; desta cerveja mágica, eles se tornaram imortais e resistentes as doenças.
Mais algum tempo se passou e o artesão de couro, o qual fabricava as roupas da tribo, conseguiu uma pele mágica (alguns citam como de javali) e fez uma grande capa, tão perfeita, que o couro quase que não fora desperdiçado na manufatura. Todos o questionaram para que servia aquela pele, ele então trouxe um animal a beira da morte e uma farta bacia de água; levemente, ele mergulhou a capa de couro na água e a retirou rapidamente, a água começou a mudar de cor e num tom avermelhado como sangue, se transformou em vinho; aquele vinho tinha a propriedade mágica de curar qualquer doença e dor de um ser vivo, até mesmo livrá-lo da morte próxima (por curto período de tempo).
Uma das mulheres (Cerridwen), trouxe seu gigante caldeirão e após anos trabalhando em uma poção mística, conseguiu uma perfeita poção. Novamente a tribo se reuniu e aquele caldeirão conseguia produzir poções de sabedoria, quem a bebesse, se tornaria uma pessoa sábia e saberia todos os segredos da magia.
Outra mulher, conseguiu criar (através de misturas naturais) árvores que geravam maçãs douradas, elas dariam o conhecimento sobre tudo que era terreno, desde meros conhecimentos básicos até o segredo de todo o Universo.
O artesão criou vários instrumentos e objetos, todos mágicos e que seriam manuseados apenas por quem estivesse preparado para seu uso. Dentre os objetos, estão algumas armas divinas (que citarei mais para a frente) e a Harpa e o Caldeirão de Dagda.
Os anos foram se passando e as gerações mudando; logo se viram em confronto com os Fomore após a mudança da sua ilha e com isso, a morte de muitos se resultou nestes momentos de guerra. Um pacto brando foi feito entre ambos e viveram em trégua; com muitos dos anciães mortos, o arquiteto retornou aquela mesma ilha onde os segredos foram descobertos; lá, ele construiu um palácio que muitos citam como sendo dourado como ouro e aos redores, semeou as sementes das maçãs douradas. Esta ilha passou a ser chamada de Ilha das Maçãs, uma moradia dos deuses.
Dagda, Cerridwen e alguns outros deuses de gerações mais recentes se tornaram os guardiões e protetores dos segredos e dos objetos mágicos, e a partir deles, temos as histórias e contos que nos influenciam até hoje.


Complexidade divina:
Não há muito que contar sobre como os deuses se originaram; os próprios celtas contavam esta como uma lenda breve e curta; sem muitos detalhes. Entretanto, é possível perceber que os deuses são de essência humana e eram assim antes de receberem o título de divindades.
Por que são chamados de deuses?
Os celtas os chamavam de deuses, porque mesmo sendo humanos em sua totalidade, as divindades celtas seriam intituladas como tal se fossem descendentes diretos de algum deus e conseguissem controlar:
-Algum elemento natural (rios, pedras, o Sol, a Lua, etc.)
-Ter controle e conhecimento sobre os 4 elementos (Água, Terra, Ar e Fogo)
-Tivessem algum dom especial (conhecimento em poesias, guerra, etc)
-E o mais importante, possuir o conhecimento da magia (dado em objetos ou rituais que possuiam e faziam)

O surgimento da mulher:
A mulher para os celtas era extremamente divinizada. Segundo muitos contos celtas, é possível perceber que as mulheres já existiam em outras tribos e não se originaram pelos deuses como para os gregos, cristãos, etc; entretanto, esta criação mostra que a mulher é grandiosa perante os olhos masculinos celtas e que os próprios homens as divinizaram, tendo grande importância.
Poderes femininos:
Para os celtas, as mulheres eram portadoras de grande força, não como o homem (força bruta); elas possuíam o dom da vida (a gestação), o dom da proteção (como mães; os homens tinham como proteção de tribos e em batalhas) e principalmente da magia e conhecimento. Nota-se que todos os poderes e criações dos deuses se voltam para a vida e principalmente o conhecimento.

A reunião divina:
Apesar de terem bebido a cerveja, ela não era tão poderosa assim; ela possuía um prazo de efeito (como uma validade), ela teria efeitos mágicos durante exatos 1 ano da Terra. Nas reuniões posteriores, foram estabelecidas regras para adquirir a imortalidade; os deuses deveriam merecer tal presente, fazendo o possível para ajudar os humanos. Assim, estabeleceram um dia específico para que a bebida fosse feita novamente e os deuses a bebessem; este dia foi o dia de Samhain, 31 de Outubro; onde os deuses aproveitariam a mágica deste dia e renovariam a imortalidade.
A morte de alguns deuses mesmo sob o efeito da cerveja:
Apesar de a cerveja dar a imortalidade aquele que a bebesse, muitos deuses morreram em batalhas contra os Fomore; isso ocorre pelo fato de os próprios celtas os considerarem como deuses, porém ainda possuem uma parcela humana. A cerveja os livrava do envelhecimento e a morte natural; porém, ao declararem guerra, eles poderiam ser mortos em batalha, ou seja, poderiam ser assassinados.

Os itens mágicos:
Nas reuniões, eles impuseram mágicas sob os objetos as quais as tornariam possíveis de apenas um deus as controlarem; nenhum mortal conseguiria tocar a Harpa de Dagda, nenhum ingrediente entraria no caldeirão de Cerridwen, muito menos manusear as armas (já que elas tinham vida própria).
Os mais importantes foram a bebida de Cerridwen e as maçãs douradas. Cerridwen ficou incubida de dar a bebida para quem ela desejasse (ela é muito sábia); porém, as maçãs douradas foram proibidas para qualquer um, humano ou deus. Os deuses possuíam uma regra que era levada como a principal "Nenhum ser tem o direito de conhecer todos os segredos do Universo", então, qualquer um que comesse da fruta, seria morto sem julgamento (sendo mortal ou não).
Percebam a diferença entre a fruta em questão e a comparem com a situação de Adão e Eva na bíblia e no cristianismo; alguma semelhança?

A trégua entre os Fomore e os integrantes da tribo de Danna:
A mitologia celta é uma em que a trégua entre Luz e Trevas é bem percebida; não como os gregos, onde titãs ajudam os deuses, porém os deuses de Luz se unem com o das Trevas e formam um grupo muito imporante. Isso ocorre porque os celtas visavam o balanço universal, como muitos filósofos já disseram e se adéqua muito bem neste contexto é "A vida não existe sem a morte, a bondade não existe sem a crueldade e a luz não existe sem trevas".
Porém, para deixar claro, mesmo com a trégua, alguns deuses de ambas as tribos travavam batalhas pessoais com determinados integrantes rivais.

A Ilha das Maçãs:
A ilha em questão, foi criada para servir de moradia aos deuses da tribo de Danna; porém, em um consenso, todos preferiram habitar o Primeiro Mundo. A ilha se tornou um local para guardar os itens mágicos dos deuses e de lá, não saírão por mãos mortais.
A ilha recebeu o nome por todas as árvores serem as macieiras das maçãs douradas do conhecimento. Dizem que com os anos, as maçãs caíram no chão e as raízes das plantas abaixo das árvores absorveram os nutrientes da fruta e adquiriram o tom dourado. Para quem não sabe, a Ilha das Maçãs era o nome mais comum celta para o que hoje conhecemos como Avalon.

Espero que tenham gostado e já sabem; quaisquer dúvidas podem perguntar que responderei com prazer!
Abraços enormes!
Escrito por Felipe M.

Dagda, o Bom

Olá pessoas, como estão?
Hoje, quero falar um pouco de Dagda, o Bom, grande divindade celta e iniciar o ciclo de divindades com ele.
Ao contrário do que muitos pensam, os deuses celtas se distanciam muito dos deuses gregos e de outras vertentes; no início, estes deuses não passavam de meros humanos, pessoas comuns, de vidas comuns e hábitos comuns. Na próxima postagem irei contar como eles adquiriram este poder e se tornaram divindades; Dagda por sua vez, foi um dos primeiros a se tornar uma divindade; alguns o citam como o primeiro deus celta.
Dagda pode ser considerado o patrono do panteão celta, assim como rei dos deuses (assim como Zeus e Odin). Ele deu origem aos outros deuses, onde muitos são netos, filhos e a relação familiar se distribui ao longo das gerações.
Ele possui uma filha, Danna; ela então decidiu continuar a hereditariedade divina e assim se originou a tribo que leva o mesmo nome da deusa. Dagda então se tornou um "juíz", o qual prezava apenas o que despertasse o lado bom do ser humano, o que lhe deu o título de "o Bom".

Atributos divinos:
Proteção, dos guerreiros, do conhecimento, da magia, do fogo, administrava a profecia, o tempo, a reencarnação, as artes em geral (principalmente a música), as iniciações (mágicas), a prosperidade e abundância.

Como era representado?
Era representado sempre como um homem velho, cabelos brancos e quase sempre com sua harpa, raramente com o caldeirão. Muitos celtas possuíam uma pequena harpa em casa como uma prova de fé ao deus.

Objetos mágicos:
Na realidade, não há muito o que dizer sobre as divindades celtas, pois o lado humano delas é tão forte, que muitas vezes, são confundidos como meros humanos em seus contos. Ele possui 2 objetos de grande estima e importância; um deles é o caldeirão, onde a comida que ali é gerada pode saciar a fome daqueles que necessitam e também pode gerar enorme abundância material e espiritual; tais como fartura, riqueza e conhecimento. Outro objeto, muito mais importante, é a sua famosa e delicada harpa; jamais sai do lado dela, pois é ela quem provê seus poderes magníficos, a harpa foi criada através de mágica e ela só pode ser manuseada pelo menos deus.
Dagda toca sua harpa com tamanha maestria e poder mágico, que é através dela que ele convoca as estações do ano, cada estação do ano possui sua música específica; a harpa também possui um papel fundamental para nós mortais, quando ela é tocada para alguém está para morrer, o som da harpa irá hipnotizar a pessoa e a fazer cair em sono profundo; desta forma a pessoa irá para o plano dos mortos sem nenhuma dor ou consequência, será como um simples sonho.

Na atualidade:
Dagda, assim como outras divindades celtas, não possui tanto reconhecimento; muitas vezes se encontra no esquecimento das pessoas. A Irlanda é o país onde ele continua vivo com mais intensidade, porém os locais de onde suas raízes não brotaram, muitas vezes é até mesmo desconhecido.

Na próxima postagem, explicarei com mais detalhes como surgiram às divindades e o porquê de serem tão humanizados.
Abraços enormes.
Escrito por Felipe M.

Algumas tribos de grande importância

Os celtas possuíam um geral de 150 tribos diferentes espalhadas pela Europa; como em qualquer civilização, em quesitos de cidades ou tribos, algumas sempre se destacam pela força ou por mistérios que possuem, no caso dos celtas poderíamos citar 5 tribos que teriam este destaque.
Estas 5 que citarei abaixo são tribos específicas e se voltam principalmente à um clã (família), talvez pela crença que possuíam ou simplesmente pela mitologia. Vamos começar:

Fomore:
Segundo os registros e detalhes presentes nos contos celtas, não há indícios que comprovem que esta tribo tenha se fixado em outro lugar além da Irlanda no início de sua existência. Pelo que se pode compreender, eram nativos da região e viveram antes das sucessivas guerras e disputas territoriais; citados muitas vezes como a tribo que originou os celtas.
Miticamente falando, esta tribo é a tribo das divindades que representam os poderes do mal e das trevas; as tribos decendentes dos Fomore foram conhecidas por sua brutalidade e constantes batalhas, considerados nascidos da própria terra, surgiram quando o solo da Irlanda surgiu, nasceram como plantas que brotaram do chão.

Partholon:
Em um tempo considerado remoto, este povo aportou na ilha da Irlanda e contavam com apenas 48 integrantes, 24 homens e 24 mulheres. Contam as lendas, de que quando eles aportaram, o dia era dia 1° de Maio, dia de Beltaine (data de celebração do deus da morte, da tribo dos Fomore); logo em sua chegada, os Fomore já demosntraram agressividade para não terem de dividir a ilha com outra tribo.
Os Partholon se mostraram grandes guerreiros e lutaram contra as forças da escuridão (os próprios Fomores); com a derrota do líder Cichol (Sem-Pés), a tribo de terríveis monstros e demônios se dispersaram pela ilha e impuseram leis terríveis contra os recém-chegados; com muita força e batalhas, os Partholon aprisionaram os mais temíveis integrandes dos Fomores em uma fortaleza no Atlântico, onde os penhascos eram cortantes e os precipícios eram mortais.
Por trezentos anos os Partholon viveram na ilha e a estendeu através do trabalho para poder suportar o número de integrantes que aumentava. Nestes trezentos anos, a planície que a ilha era teve seu tamanho quadriplicado e teve a criação de sete novos lagos; a população teve um grande aumento, de 48 integrantes passaram para 5 mil. Em um ano não datado, o 1° de Maio retornou; foi então que os Partholon sucumbiram ao saber o real poder dos Fomore, o deus da morte retornou de seu "descanço eterno" e com ele, vieram alguns de seus filhos (que também haviam morrido), neste dia, uma epidemia açoitou a tribo e em uma semana, os Partholon foram exterminados. Entretanto, no início da epidemia, os que estavam de saúde plena previram que seria o fim e recuaram até a primeira planície que haviam se fixado inicialmente, assim, os sobreviventes puderam enterrar os mortos. Até hoje, próximo da cidade de Dublin há uma demarcação histórica de onde é este cemitério; porém há um atrito entre historiadores e crentes da lenda, os historiadores afirmam não ter existido uma praga que causasse o extermínio e eles simplesmente se mudaram da Irlanda de volta para sua região original, porém, os crentes afirmam que esta epidemia não era física; pelo fato de ser um deus da morte, a epidemia poderia ser algum ato de feitiçaria e magia que causasse a morte natural em massa.

Nemedianos:
Eles eram descendentes dos partholonianos, também enfrentaram constantes batalhas contra os Fomores; porém o líder saiu vitorioso das 4 grandes batalhas, porém veio a falecer pouco tempo depois da última vitória por causa de uma peste que ceifou a vida de mais 2 mil pessoas.
Com estas mortes, a tribo de Fomore recuperou a força e ficaram sob o comando de dois reis, um presidia na fortaleza de Tory (onde foram aprisionados pelos partholonianos) e o segundo reinava sobre a Irlanda. Em um ato de rebelião, os Nemedianos atacaram a fortaleza e reinaram soberanos na batalha, porém o segundo rei enviou seu exército para exterminar os rebeldes; todos os Nemedianos foram mortos e apenas 30 sobreviveram. Em desespero, eles fugiram da Irlanda e partiram para ilhas próximas; desta lenda, é contada que o último chefe do Nemedianos (cujo nome era Britain) se alojou com os sobreviventes em uma ilha e esta foi batizada de Grã-Bretanha.

Firbolg:
Conta-se que era um povo que habitava a região da atual Grécia; porém, os gregos os expulsaram das terras férteis e os expulsaram para vales rochosos para que tornassem o solo cultivável. Para se livrarem da opressão, fizeram embarcações de couro e enfrentaram os mares em rumo a Irlanda.
Eles vieram em três grupos, os Fir-Bolg, os Fir-Domnanm e os Galionin; e são generalizados como Firbolg. Um dos reis se casou com a filha do rei da Terra da Eterna Juventude (falarei sobre ela mais para frente); por isso, mesmo na Irlanda medieval, anualmente havia uma grande assembléia de fadas para honrar a união do casal.

A tribo de Danna:
Sem dúvida a tribo mais importante de toda a história celta pois é dela que se originam os deuses.
Danna era filha de Dagda, o Bom, e esta tribo representa o mais claro poder da Luz e do Conhecimento que existe em todos os mitos irlandeses. Em todas as suas citações, não aparecem inteiramente como deuses; pois pela forma que são citados, se assemelham como um mero humano; entretanto, de algumas épocas para os dias atuais, são citados com grande exaltação. Isso acontece pois com a influência cristã, estes deuses foram rebaixados e em lendas escritas foram assemelhados a meras fadas ou então os identificaram como anjos caídos.
Escrito por Felipe M.

Protetores divinos

Olá pessoal, como vocês estão passando de Quarta-Feira?
Com o início do ano se aproximando, pensei ser interessante colocar algo ligado a astrologia (em certa parte), para alguns pode ser algo de simples curiosidade, para outros, algo realmente intressante.
Sabe-se que quando nascemos, os planetas e o cosmo se alinham conforme o horário e isso afeta a decisão de nossos nomes e vida; um exemplo que se aproxima bastante do que direi aqui é sobre os signos zodiacais, em períodos de um mês, há uma mudança de signos zodiacais e eles "moldarão" algumas características da pessoa que nasceu nesta época; como algumas semelhanças entre geminianos, sagitarianos, cancerianos, etc.
Neste caso, 12 destes meses são regidos por um deus olímpico diferente; eles não irão moldar o caráter ou características da pessoa, eles atuam como protetores e guias espirituais.
Abaixo segue a lista de datas e deuses:
Hefesto - Rege o período entre o dia 21/12 até 20/1
Hera - Rege o período entre o dia 21/1 até 20/2
Poseidon - Rege o período entre o dia 21/2 até 20/3
Athena - Rege o período entre o dia 21/3 até 20/4
Afrodite - Rege o período entre o dia 21/4 até 20/5
Apollo- Rege o período entre o dia 21/5 até 20/6
Hermes - Rege o período entre o dia 21/6 até 20/7
Zeus - Rege o período entre o dia 21/7 até 20/8
Deméter - Rege o período entre o dia 21/8 até 20/9
Héstia - Rege o período entre o dia 21/9 até 20/10
Ares - Rege do dia 21/10 até 20/11
Artemis - Rege do dia 21/11 até 20/12

Esta pequena lista mostra o período de regência de cada deus perante o nosso calendário. Para os nascidos durante a regência de algum deus, este é seu deus patrono, que te guiará; algo como um "padrinho divino", por assim dizer.
Durante o período de regências, as preces são melhores atendidas e bem ouvidas. Por exemplo: durante a regência de Artemis, qualquer prece que seja feita à ela, terá uma maior chance de ser realizada, enquanto se for feito para outro deus, poderá não ser realizada.
Entretanto, não é por isso que qualquer prece e desejo se realizará; a justiça sempre é analisada e ponderada.
Acreditá-se que existe o que chamamos de Hora Divina; todos os primeiros domingos do início cada regência no período do Meio-dia (12 horas) até às Cinco (17 horas), o deus regente se encontra em Terra; durante este horário (Horário Divino), as preces e oferendas são feitas ao deus e ele próprio viria recebé-las.
Abraços enormes!
Escrito por Felipe M.

Serenada das Sereias

Quem nunca ouviu a história de pescadores contando que não conseguiram nenhum peixe ou o barco ter afundado por causa de tal criatura. Qual criatura é esta? Meus amigos e amigas, estas são as sereias.
Sem dúvida alguma, as Sereias são um dos seres mais misteriosos e místicos de todos os tempos, pela sua diversidade e conhecimento que se perpetua até os dias de hoje.
Conhecidas por todas as civilizações costeiras, tendo um surgimento específico na Grécia e se perpetuando por todo o mundo.
Como é uma Sereia?
Existem duas versões de Sereias, sendo uma delas exclusiva da Grécia antiga. Esta exclusividade é feita por possuírem cabeça de mulheres e corpo de grande aves de rapina (que foram classificadas como Sereias por um longo período); assim como também existiam as que eram metade peixe (cintura para baixo) e da cintura para cima, eram mulheres comuns.
A primeira citada se assemelha muito as Harpias mitológicas, o que acabou com que as Sereias se tornassem apenas metade humana e peixe.
Como se originaram?
As Sereias são filhas do Titã Achelous, filho e Tétis e Oceano (ver postagem sobre Titãs), com a musa Terpísicore. Do relacionamento destas duas divindades, nasceram as Harpias e as Sereias. De início, as Harpias eram consideradas Sereias e não possuíam o nome "Harpia"; porém, com o tempo, Terpsícore percebeu que algumas de suas filhas não eram tão belas quanto às outras, as metade peixe eram extremamente atraentes e belas, enquanto as com corpo de aves possuíam rostos feios, alguns horrendos, entretanto, algumas se destacavam pelo belo rosto.
Assim, ela impediu que as irmãs se vissem para que uma não se perguntasse do porquê de ser menos bela que a outra, assim se separaram e surgiram as Harpias e se separaram das Sereias. Achelous era muito favorável as Sereias por viverem junto a ele; então, convocou a musa e pediu que ela reunisse as irmãs e cada uma desse um presente especial para as filhas.
Assim foi feito, Terpsícore deu o dom da dança para que alegrassem a vida aquática; Urânia deu o conhecimento sobre as estrelas para que nunca se perdessem no vasto oceano; Tália e Melpômene deram o dom da atuação; Clio proclamou cada uma como guardiãs da história; Polímnia e Erato deram o dom de criarem as músicas; Euterpe deu o dom da consciência musical, porém Calíope se enfureceu por darem presentes que fariam suas sobrinhas se assemelharem a elas, deusas. Com o pedido das irmãs e o apelo de Achelous, ela deu o presente junto a uma maldição.
"Darei a mais bela voz já ouvida neste mundo, tanto terreno como divino, porém não tão bela como a minha; mas como viverão aqui, próximos aos homens (mortais), seu canto será a perdição dos mesmos. Nenhuma filha de minha irmã poderá ser tocada por mãos humanas, então, o cantar delas será hipnótico e levará o mais sensato homem à morte".
Assim, as Sereias receberam seus presentes divinos e se perpetuaram até os dias de hoje.
Morada das Sereias:
As Sereias moram principalmente no oceano e nos mares, podendo habitar também grandes lagos cheios de vida. Diz-se que quando a vida de um lago é extinta, seja pela pesca abusada ou poluição de suas águas, as sereias dele são mortas e só voltarão a existir se a vida retornar.
Como são conhecidas ou denominadas:
Como são conhecidas por várias civilizações ao longo do mundo, recebem vários nomes. Na antiga Grécia, eram conhecidas como Σειρήν (Seirin), com o passar dos tempos, as outras civilizações adaptaram o nome para sua língua, onde passaram a serem chamadas de Seirens, Sirenas, Seirenas até chegar as Sereias; são conhecidas também como Damas D'Água, Ondinas e Sirene (menos comum).
O que as Sereias fazem?
As Sereias são basicamente protetoras da vida aquática, inúmeros contos testemunham navios sendo afundados por Sereias em atos desesperados; quando a embarcação não é destruída, a tripulação desaparece.
Por que o canto das Sereias é fatal?
A história contada acima, é uma das hipóteses da razão do canto das Sereias ser tão "maligno". Segundo lendas, elas adoram cantar entre si, para divertimento uma da outra e dos animais aquáticos; entretanto, quando avistam alguma embarcação, são tomadas pela curiosidade que possuem dos humanos e pelo fator de defesa que possuem; com a beleza, distraem os marinheiros e quando se distraem tentando ver que animal que acabará de pular de dentro da água, são chamados por outra Sereia, está demonstra apenas sua parte mulher, os marinheiros se aproximam em tentativa de resgatar a estranha "moça" que está para se afogar, assim, ela canta de modo que atrairá os marinheiros para dentro das águas e desaparecendo com eles. Não se sabe o que fazem com os marinheiros capturados; algumas histórias contam que elas os aprisionam em grutas submersas e os tornam amantes, outros dizem que morrem afogados e são levados até as profundezas para que nunca sejam encontrados e até mesmo histórias sobre Sereias canibais (pasmem).
Existem Sereias masculinas?
Muitas vezes ouço perguntas deste gênero; entretanto, não existem Sereias masculinas; existem seres que são os parceiros delas, os quais são chamados de Tritãos (singular: Tritão), entretanto, se diferenciam por não possuírem as mesmas habilidades de Sereias, estão abaixo delas hierarquicamente; a arma dos Tritões é o tridente, enquanto das Sereias, é a voz.
O Tritão era filho de Poseidon, terrível deus dos mares, destruia as embarcações de marinheiros por diversão; as Sereias queriam parceiros como elas, então, se uniram e com mágica, transpassaram a essência do deus para uma enorme concha; por um período de tempo a concha gerou uma pérola dentro dela, e quando as Sereias a abriram, havia um bebê, um Tritão, idêntico ao deus (metade peixe, metade homem); porém mais calmos e de melhor índole.
Os navios naufragados são atacados sempre pelos Tritãos, enquanto as Sereias atacam os tripulantes.
Semelhanças:
As Sereias não possuem nenhuma modificação quanto aparência e atributos ao longo dos tempos e das civilizações, seja no Oriente Médio, Grécia, Inglaterra, Cornualha, Gales, Escócia, Irlanda, Dinamarca, Ilha de Man e até mesmo no Brasil, entre várias outras civilizações de qualquer época.
Para todos, as Sereias poderiam causar mortes e destruições de embarcações, até mesmo rapto de homens na beira da praia; mas sabe-se também que as mitologias e folclores contam sobre Sereias que se aventuram próximas da areia das praias para saciarem a curiosidade de verem os humanos; podendo muitas vezes brincar com a mente dos mesmos ou fazerem se perguntar "O que eu vi era real?".
Importância para culturas e religiões:
Gregos e Escandinavos:
Em civilizações como Grécia, Roma e até mesmo países Escandinavos, que dependiam de navegação, oferendas eram feitas e entregues no mar para que as Sereias não perturbassem os tripulantes e não causasse o desastre; com o passar das décadas, já próximo da era das Grandes Navegações; alguns navios apresentavam Sereias esculpidas em sua proa (frente) para que as Sereias não atacassem o navio.
Umbanda e África:
Para os umbandistas e religiões de base Africana, as Sereias estão muito presentes, sendo que Iemanjá é rainha das águas, assim como rainha das Sereias; além de ela própria ser uma Sereia. Diz-se que ela quem gera as Sereias e comanda o controle total dos mares, se assemelhando muito ao deus Poseidon, da mitologia Grega; porém, traz a calmaria, podendo ser portadora de grande fúria e vingança.
Celtas:
Os celtas em geral consideravam as Sereias como seres mágicos puros, sem nenhuma conexão com os humanos, sendo assim, teriam grandes propriedades mágicas. Tornaram-se ícones do elemento Água e até mesmo na Wicca, são cultuadas quando são feitas invocações para a Água e até mesmo em rituais, são pedidos que a força delas se faça presente.
Atualmente:
Despertam a imaginação das pessoas, seja em livros, filmes, desenhos e até mesmo seriados juvenis. Infelizmente, de alguns anos para cá, elas vem perdendo o conhecimento e cada vez mais estão entrando em "extinção racional", ou seja, as pessoas estão se esquecendo de tais seres.
Como detectar uma Sereia?
Por serem seres totalmente mágicos, puros, elas são avistadas e sentidas apenas quando elas desejam; entretanto, com isso existe também um lado negativo, são impossibilitadas de viverem em águas extremamente poluídas. Desta forma, é raro com que possamos vê-las em nossas idas a praia ou grande lagos; mas algumas vezes, têm-se a sorte de poder ver uma delas por um rápido segundo; basta prestar a atenção.
Abraços enormes, a sessão de mitologia se despede por aqui e peço perdões pelo atraso que ocorreu!
Escrito por Felipe M.

Guerras Titânicas

A guerra foi um conjunto de batalhas onde os titãs e os deuses se enfrentaram por vários anos, um período de tempo tão longo que seria impossível de descrever em palavras. Todas elas foram causadas pelas ações de um único titã, Cronos, que desencadeou gigantesca raiva em seu filho Zeus.
Gaia evitava interferir em questões que não lhe convinham, entretanto, se ela estivesse ameaçada ou fosse desafiada, sua fúria moveria sóis e planetas, todo o Universo sentiria sua força e sua vingança recairia sobre nós, mortais.
Réia havia escondido seu bebê, Zeus, na ilha de Creta, onde ficou sob cuidado de duas ninfas e Gaia iniciou o jovem deus em uma jornada, qual era essa jornada? Por que interferir apenas agora? Por que não deixá-lo ser engolido pelo pai?
No início da reorganização contra o Caos, Gaia criou Urano para lhe fazer companhia e ser seu parceiro para todos os momentos; mas o medo de perder o trono fez com que ele aprisionasse todos seus filhos no ventre da grande titã, é claro que o ódio era movido pelas terríveis dores de todos seus filhos adultos em seu ventre. Sem nenhuma dúvida, Gaia se vingou de sua criação ordenando que Cronos castra-se o próprio pai. Assim lhe foi ordenado, assim o fez.
Por sua vez, ele recolheu o sangue de seu pai e deixou que escorresse por entre a vagina de Gaia, o sangue fez com que os filhos pudessem novamente sair do ventre que os aprisionava; ela por sua vez, presenteou Cronos com o trono de senhor dos céus e do Universo, desde que vigiasse o pai. Cronos reinava com destreza e se casou com sua irmã Réia. Têmis o avisou que Cronos era fértil, assim como sua esposa, sendo assim, gerariam filhos fortes e sadios; porém, um destes filhos o destronaria.
Cronos se desesperou, pois sofreria exatamente o mesmo que fez com seu pai; ser destronado pelo próprio filho, por alguém muito menos inexperiente. Quando Héstia nasceu, ele a engoliu sem nenhuma cerimônia, simplesmente a pegou em suas mãos e jogou para dentro da boca. Os titãs estranharam a atitude de Cronos, ele nunca havia feito algo tão radical assim, porém, ninguém além dele, Têmis e Réia sabia da profecia. Deméter nasceu alguns meses depois, ele fez o mesmo com a criança; foi a gota d'água, a segunda criança de seu próprio sangue ser engolida? Isso era um absurdo para suportar o fato de um rei que sempre reinou de forma justa atuar daquela maneira; assim, os titãs iniciaram uma revolta contra Cronos e tentaram destroná-lo, mas foi inútil. Réia poderia ter ajudado se não fosse o fato de se subordinar totalmente a ele; em um ato de fúria, Cronos aprisionou todos os irmãos no ventre de Gaia. Foi então que o desastre começou, ela precisava de um titã poderoso que estivesse disposto a ajudá-la.
Réia resolveu agir contra a ação do marido e escondeu Zeus e uma pedra foi engolida em seu lugar; esta era a chance. Uma nova geração de titãs, mais próximos ao homem, tão fortes quanto os titãs, porém, com alguns ganhos, algumas coisas são perdidas. Mesmo sendo de uma nova geração, mais forte que a anterior, estas crianças não tinham o controle da natureza como seus antecedentes. Gaia se mostrou para Zeus e lhe contou sobre seu pai e que ele tinha um trono a herdar; mas ele teria que se preparar antes de tudo.
Sendo ensinado por Gaia, ele teve de encontrar Métis, uma titânide da terceira geração, sua prima. Ela havia escapado da fúria de Cronos e se escondia em um pântano onde nenhum mortal sobreviveria e que até um titã deveria se mostrar capaz de atravessar.
Esta foi a prova que Zeus precisava, ele procurou por todo o pântano e não sofreu nenhum mal, pois todos os seres que ali habitavam (gerados por Gaia) sabiam que ele era a salvação, mas colocaram obstáculos como lições para o jovem. Encontrando a titã, ela o acolheu e lhe ensinou tudo o que sabia, desde técnicas de cura até as de batalha, ele se fortaleceu e sua ansiedade por se vingar do pai apenas aumentava.
Métis preparou uma bebida que faria Cronos vomitar todos os irmãos e assim, com todos os três deuses (Hades, Poseidon e Zeus), seria possível a queda de Cronos.
Zeus foi até o mais distante ponto da Terra e lá encontrou seu pai e sua mãe, sentados nos tronos; se passou por um simples homem que queria agradar ao supremo senhor e lhe entregou a bebida. Sem pensar duas vezes, Cronos virou o líquido na boca e o tomou num único gole, instantes depois, ele vomitou seus filhos e a raiva se alastrou por seu corpo. Réia, assustada, levou as três filhas para a proteção de Tétis (que também havia escapado), os três deuses lutaram contra o pai, mas não estavam preparados para vencê-lo, foi então que Réia interferiu na batalha e imobilizou seu marido e permitiu que os filhos fugissem.
Com todos os seis reunidos, eles puderam resgatar os titãs de dentro do ventre de Gaia, a qual ficou extremamente grata; porém ela alertou:
"Demonstraram muita coragem e força em lutar contra Cronos, vosso pai, senhor do Universo; mas necessitam algo mais, armas poderosas que lhes ajudem na batalha final."
Sem mais demora, Métis guiou os três aos pés de um vulcão onde viviam os três Ciclopes. Em gratidão por terem resgatado eles e salvo a mãe das dores, eles eram excelentes ferreiros e criaram três armas poderosas para presenteá-los. Para Hades, foi entregue um capacete o qual quem usasse, ficaria invisível; para Poseidon, um tridente o qual foi forjado com ajuda de Oceanus, que lhe daria certo controle sobre as águas; e para Zeus, uma arma poderosa, os raios.
Métis alegou que seria prudente se eles atacassem Cronos rapidamente, pois eles não dispunham de tempo, afinal, Cronos o controlava e faria algo para se vingar.
Os três se dirigiram ao trono do pai e lá o convocaram para uma batalha decisiva, ele se levantou, pegou sua foice e partiu para o ataque; Poseidon impediu que a foice tocasse Zeus através de seu tridente, Hades vestiu o capacete e invisível agarrou seu pai por trás e impediu que ele se movesse, por fim, Zeus lançou seus raios no peito do pai; fazendo-o cair no chão sem possibilidade de se levantar.
Mas ainda não era motivo para vitória, ele iria se levantar a qualquer momento, então, os Ciclopes trouxeram correntes tão fortes quanto o próprio corpo de Gaia e o amarraram de tal forma, que seria impossível que ele se levantasse; seus tornozelos foram amarrados com correntes interligadas ao pescoço, quando ele tentasse se levantar, estas correntes puxariam uma espécie de coleira com pinos pontiagudos que atravessariam seu pescoço se ele continuasse a tentativa.
Por fim, eles o jogaram em um deserto onde nem mesmo um deus poderia escapar, e lá, ele vagaria perdidamente tentando encontrar a sua saída, a qual jamais acharia.
Zeus se casou com Métis em agradecimento da ajuda e como havia derrotado o pai, era regente do Universo e poderia controlá-lo quando necessário. Hades criou o submundo e lá reinou; Poseidon, com sua índole, decidiu tomar controle dos mares, enfrentando diretamente Oceanus; este por sua vez, recorreu a ajuda de Zeus. Mas Poseidon lhe disse que tinha o mesmo direito de reinar, e como já haviam reinado os céus e o submundo, e Gaia no controle da Terra, ele devia adquirir os mares; Zeus concordou e fizeram disso um acordo. Os três iniciaram uma batalha contra Oceanus e seus filhos, a qual Poseidon reinou; alguns titãs preferiram não interferir e se calaram. Quando Métis engravidou, Gaia pagou o débito que possuía e profetizou:
"A criança que vier do ventre de Métis te destronará, assim como fizestes com teu pai e o teu pai com teu avô"
Zeus temeu o pior e engoliu Métis em um jogo de transformações. Os deuses nada disseram sobre o assunto, mas os titãs se revoltaram, primeiro Cronos castra o pai e os aprisiona, engole os filhos, agora Zeus aprisiona o pai, engole a esposa e luta contra Oceanus e seus filhos. Era definitivamente a gota d'água; os titãs então se separaram em dois grupos bem distintos, o primeiro era totalmente a favor da destruição de Zeus e os outros deuses, enquanto outra parte se mostrou imparcial, não se opunham, mas também não participaram de nada. Atlas então se prontificou como líder e guiou vários titãs para a guerra, ao contrário de Cronos, ele recrutou os titãs que antes se mostravam imparciais, através de promessas e preparou táticas para não serem pegos sem nenhuma resistência.
Enquanto isso, Têmis havia sido enviada pelas moiras para se casar com Zeus. Zeus aceitou a mão de Têmis; na verdade, ela havia planejado isso para que a justiça fosse feita e que a balança fosse reequilibrada e os deuses não sofressem uma injustiça; pois a vingança de Zeus foi um reequilíbrio e Têmis ser engolida, foi gerada por medo.
Ela passou a ensinar Zeus sobre as leis divinas e a ordem, assim, ele poderia criar as leis e regras afim de que fossem usadas entre titãs e deuses. Atlas então enviou alguns titãs para onde Zeus e os outros deuses viviam. A batalha durou 5 longos dias e Zeus venceu e aprisionou os titãs no ventre de Gaia. Têmis ficou revoltada com a ação do marido, se divorciou e desapareceu.
Olympus, pediu para Zeus e os outros titãs que fosse liberto das guerras, pois Atlas estava tentando fazer com que ele entrasse na guerra; e com isso, ele pediu que servisse para sempre os deuses e que os defendesse. Sem outra escolha, os deuses o transformaram em um enorme monte, onde os deuses viveriam e tão difícil de se chegar ao topo, que seria uma fortaleza quase que impenetrável; este passou a se chamar o monte Olimpo.
Gaia se revoltou pela traição de Zeus e decidiu se vingar; criou os Andróginos, criaturas de quatro patas e quatro braços, que podiam se interligar pela coluna e se transformar em criaturas muito mais fortes. Eles escalavam o Olimpo como se subissem uma pequena colina, Zeus lançava seus raios e pediu então que convocassem os Ciclopes para lhe criarem mais raios; enquanto isso, os Hecatônquiros lutaram ao lado dos irmãos para evitar a ameaça.
Gaia perde a batalha e consegue libertar seus filhos. Muito tempo se passa, Athena nasce; Hera se casa com Zeus e Hefesto passa a ser ensinado pelos Ciclopes e cuidado por Tétis, a qual era a favor dos deuses na guerra. Uma das filhas de Atlas engravida de Zeus e então nasce o jovem Hermes; até este momento, a hierarquia do Olimpo já estava formada, os deuses já reinavam e os filhos de Zeus concordaram com a paz entre eles e os titãs. Porém, os titãs queriam a luta contra Zeus e destruí-lo de qualquer forma. Com o nascimento de Dionísio, Hera resolveu matá-lo da forma mais cruel; o levou até Atlas e os outros titãs e disse:
"Venho em paz, por livre e espontânea vontade. Venho lhes oferecer parte do sangue de Zeus; esta criança é filha de seu tão odiado inimigo, e agora, lhes entrego. Sabe-se também que ele ajudará o pai a exterminar os titãs."
Após aquelas palavras, os titãs se lançaram sobre o bebê e o devoraram raivosamente, Hermes pegou o coração do bebê enquanto Athena lutava contra os titãs. Aquilo enfureceu os titãs logo queriam atacar.
Hélios perdeu o controle de sua carruagem solar de uma forma que a terra começou a se incendiar, sem outra escolha, Zeus lançou um raio em seu peito para matá-lo; sem forças, Apollo assumiu o trono do titã e se tornou deus Sol.
Selene se apaixonou por um humano e pediu que Zeus o imortalizasse, porém, também lhe foi dado um sono eterno. Por paixão, Selene o deitou em uma caverna e lá passou a viver com ele; cedendo seu trono para Artemis.
Hades havia criado um lugar onde apenas as piores almas seriam enviadas, o Tártaro; em uma reunião entre os deuses, foi pedido que uma parte do Tártaro estivesse separada apenas para os titãs. Assim o fizeram, Hades escolheu o local e Hefesto, junto a Poseidon e os Ciclopes forjaram os portões onde nem mesmo todos os titãs juntos poderiam destruir.
Mais algum tempo se passou e os titãs iniciaram sua rebelião final. Enquanto alguns ficavam em terra, outros tentavam subir no Olimpo; todos eles eram guiados por Atlas e Gaia. Foi uma época caótica, terremotos, maremotos e todos os desastres naturais estavam acontecendo. Zeus enfrentou Atlas com seus raios durante muito tempo pela proteção do Universo e dos céus, Poseidon lutava com Oceanus para que as águas não matassem toda a vida terrestre e Hades, lutava contra o Tártaro; quando ele criou o submundo, criou junto com ele um titã que o representava. Este titã era extremamente demoníaco, competia com o deus pelo controle das almas.
Hefesto estava sem descanso há dias, forjando armas e raios para os deuses junto com os Ciclopes. Artemis teve de ser enviada para caçar qualquer titã em Terra, tendo matado alguns deles. Apollo observava nos céus o movimento dos titãs e através de Hermes avisava os deuses; com suas flechas, conseguia atrasá-los, pois o máximo que acontecia ao serem atingidos era o cansaço, enquanto se um deus fosse atingido por elas, poderiam ser mortos.
No Olimpo, as deusas ficaram protegidas pelas muralhas que eram defendidas pelos Hecatônquiros e por Dionísio. Alguns titãs conseguiram subir nos templos e lá foram persuadidos por Hera, Perséfone e Afrodite, as três mais belas; enquanto isso, Dionísio se transformava em um leão gigantesco e os engolia.
A batalha estava acirrada, sem ganhadores ou perdedores definidos, mas os deuses sozinhos estavam ficando sem muitos recursos; Pan começou a convocar todos os seus sátiros e centauros para que avisassem as ninfas e mandassem a mensagem de que os deuses necessitavam de ajuda urgente. Centauros e minotauros se prontificaram para a defesa das cidades enquanto os sátiros e ninfas protegiam os animais e as florestas. Órion convocou seus irmãos e foram ajudar Artemis (até então, não eram enamorados); quando Apollo desceu para ajudar sua irmã, o Universo entrou no período das trevas, o Sol não mais iluminava, não havia dia nem noite; Eos subiu ao trono que pertencia a sua irmã e irmão e lá deu o brilho da aurora para guiar os deuses; ainda assim não era o necessário. Perséfone desceu ao submundo e convocou a hierarquia que seu marido havia criado. Os deuses da morte, da dor e da agonia entraram em aliança com Ares e seus filhos; então Zeus percebeu que, para vencer os titãs, seriam necessários os próprios titãs.
Num grito de desespero, Hera convocou Hermes e pediu que chamasse todos os titãs aliados. Tétis e seus filhos ajudaram Poseidon contra seu marido; Têmis recorreu a sua espada, trazendo a justiça, a qual nunca tarda ou falha; e por fim, Nêmesis percebeu que em sua ampulheta, as areias já haviam terminado de marcar o tempo, então ela convocou todos os titãs para lutarem ao lado dos deuses e Hécate usou sua magia para desnortear os titãs e clarear os pensamentos dos deuses.
Foi então que o fim da guerra se iniciou, sob a espada de Têmis e Nêmesis, os titãs rebeldes desistiram da tentativa e foram jogados no Tártaro para que sofressem e nunca mais fugissem do submundo. Os Ciclopes e Hecatônquiros decidiram guardar os portões do Tártaro para que ninguém os abrisse.
A vitória estava decidida, os deuses haviam ganho a guerra e trouxeram novamente a paz para o Universo.

O destino dos titãs:
Alguns titãs ficaram destinados a penas mais cruéis do que vagarem pelo Tártaro.
Cronos estava preso e perdido no deserto, assim como no Tártaro, não tinha companhia, nem comida nem bebida; mas o seu desespero era feito por saber que estava no mundo dos vivos e não conseguir encontrar a saída.
Atlas foi incumbido de segurar os céus sob seus ombros (algumas versões dizem que é o mundo), assim suportaria o peso todo em suas costas e Zeus não teria mais que zelar por Urano.
Oceanus foi aprisionado no canto mais profundo dos mares, onde não podia ouvir o cantar das sirenes e nem ver o Sol, que tanto lhe agradava.
Tifão, um dos titãs dos ventos, foi aprisionado em uma montanha gelada; assim, sentiria o frio e não poderia mover seus membros; aprisionado na prisão de pedra, não teria forças para fugir.
Prometeus, pela sua audácia de roubar o fogo de Apollo, foi acorrentado aos pés de uma montanha e todos os dias uma águia comeria seu fígado, durante a noite, ele se regeneraria e na manhã seguinte, sentiria as dores novamente pelo regresso da ave.
Os outros titãs rebeldes foram aprisionados no Tártaro.
Alguns titãs receberam gratificações por terem ajudado os deuses.
Têmis voltou ao Olimpo sob convite dos deuses.
Nêmesis recebeu o mesmo convite, porém escolheu viver em terra, pois os humanos sempre a convocam.
Hécate ganhou um trono entre o Olimpo e o submundo; passou a fazer parte da hierarquia Olímpica e Cnótica (ver postagem sobre Hades), estando muitas vezes ao lado de Artemis.
Tétis foi considerada por Poseidon, uma sub-regente dos mares, onde ela assumiria o controle quando ele estivesse no Olimpo.
Gaia ascendeu ao Olimpo após se redimir pelos erros. Como Zeus e seus irmãos sabiam sobre a forma que Gaia agia, sabiam que era comum esta forma de defesa; afinal, eles também haviam cometido erros.

Por que titãs de gerações mais avançadas foram mortos e os de gerações mais antigas não?
Um dos fatos de grande curiosidade nas guerras titânicas é que muitos titãs morreram; entretanto, estes eram titãs de quarta geração em diante. Muitos se perguntam "Por que não matar Atlas e os outros?", a demora da guerra ser concluída é pelo fato de que os titãs precisavam ser imobilizados.
Se algum deles fosse morto, a própria natureza estaria morrendo. Por exemplo, se Oceanus fosse morto, o Oceano inteiro desapareceria; o que aconteceu com alguns rios, que eram seus filhos, quando foram mortos, estes rios deixaram de existir.
Existe também outro fato muito importante para os titãs não terem sido mortos. Mesmo mais fortes que eles, os deuses não possuíam o controle da natureza; então a prisão dos titãs geraria automaticamente um controle sobre a energia da natureza que eles controlavam.
Com o controle sobre Cronos, Zeus controlava o tempo. Sobre Oceanus, Poseidon tinha total controle sobre a água; sobre o Tártaro, Hades controlaria todas as almas; e assim por diante.

Um enorme abraço para todos e a seção de mitologia grega se despede por aqui com um titânico adeus e desejos de que as pessoas tenham lido e adquirido algo, desde o simples conhecimento até o mais profundo sentimento.

Titãs, titânides e tudo sobre os titãs

Muitos séculos se passaram desde que o politeísmo grego foi dissipado e se tornou apenas histórias infantis, assim como há muito tempo, pessoas guardam a chama desta fé e continuam a espalhá-la através da faísca de consciência e desejo de rever esta religião se reerguer.
Para quem se lembra, a primeira postagem sobre divindades mitológicas foi sobre a grande mãe Gaia, aquela que dá e tira, a própria Terra; nada mais justo que iniciar falando sobre deuses do que iniciar falando sobre nossa adorada mãe!
Gaia, como alguns devem saber, é uma titã, alguns outros devem perguntar "Mas ela não era uma deusa?".
Agora digo que tudo se explicará nesta postagem e que a dúvida sobre algumas coisas, serão esclarecidas!
Antes de iniciar a explicação sobre os titãs e suas devidas explicações, devemos nos lembrar que, muitas pessoas não se lembram destes seres poderosos ou possuem uma concepção errônea sobre os mesmos. Algumas pessoas que seguem o politeísmo grego (não digo que são todas), infelizmente se esquecem da existência dos titãs; isso é gerado pela falta de conhecimento ou então por pensarem que eles não merecem o devido respeito que os deuses, mas não é bem assim.
Os titãs são seres gigantes, de tamanhos indescritíveis e extremamente fortes; assim como os deuses, existem vários titãs e gerações de descendentes. Eles possuem aparências humanas, rostos belos e algumas vezes, muito temidos; seria incoerente dizer que os titãs são apenas os filhos de Gaia, sendo que ela também é uma grande titã, então, o que é um titã?
Titãs são "homens" os quais representam diretamente uma força natural, sendo representados como a própria natureza ou algo relacionado a ela. Possuem forma humana e são gigantes, centenas de metros de altura e a ira de cada um era de tamanha força que poderia causar a destruição sem nenhuma dificuldade.
Titãs são deuses?
A resposta é sim; todos os titãs são divindades. Eles são a própria natureza e controlam estas forças, eram cultuados e com o passar das gerações, os deuses surgiram e foram substituídos como divindades principais.
A principal diferença é que os titãs são a própria natureza, os deuses apenas a controla (que explicarei mais a frente). Os titãs não possuíam a habilidade de transfiguração de seus corpos, enquanto os deuses podiam se transmutar sempre que desejado.
Os titãs da primeira geração:
No início, existia apenas o Caos, este Caos não é o mesmo que conhecemos hoje; ele era o estado do Universo, onde não havia nada sólido e concreto, tudo era misto e a vida era impossível neste Caos mergulhado no Universo vazio. Então, após uma grande energia se unir entre este Caos, Gaia surgiu e ali ficou, como em um ventre materno; os tempos se passaram e ela se sentia perdida ali, apenas ela e nada mais; ela moveu grande força e moldou um enorme corpo para si mesma (ela ainda era apenas energia), este corpo era um enorme globo perdido no Caos. Ela então criou um companheiro para ela, este era Urano (ou Uranus) e com ele teve vários contatos sexuais, do qual geraram vários descendentes.

Gaia: é a titã suprema, a própria Terra e a própria natureza. Mãe de toda a vida e de todos os seres. Extremamente vingativa com seus próprios filhos, doadora de amor e carinho; mas quando era desafiada ou atacada, sua fúria era incontrolável e destruía seus próprios filhos se necessário. Criou Urano para ser seu companheiro e com ele Teve 12 filhos titãs, 3 Hecatônquiros e 3 ciclopes.

Urano: titã criado pela manipulação de energia de Gaia. Ela o criou para poder satisfazê-la e ser seu parceiro, com ela, teve 18 descendentes. É a representação do próprio céu. Urano tinha o dom da previsão do futuro e em uma destas previsões, viu que um de seus filhos o destronaria de senhor do Universo, o qual comandava. Em desespero, aprisionou seus filhos no ventre de Gaia e lá os deixou. Foi castrado por seu filho Cronos e destronado.

Significado da castração de Urano:
Até este momento, a Terra (Gaia), mesmo sendo um planeta, continuava mergulhada no vazio do Caos. Ela criou o céu (Urano), porém, como o Caos ainda existia, não havia a separação entre terra e céu que conhecemos hoje, era apenas um. Isso era descrito como as relações sexuais entre ambos. Gaia sentia ódio pelos seus amados filhos terem sido aprisionados em seu ventre e queria se vingar de Urano, mas a força dele era tão grande, que ela, como mulher, não conseguiria vencê-lo. (fisicamente)
O ventre de Gaia é o centro da Terra, de onde a vida surge e para onde a vida retorna ao morrer. Com muita força, ela conseguiu (novamente) dar a luz para Cronos; ela entregou em suas mãos uma enorme foice e o escondeu para que seu pai não o visse. Ela propôs que quando Urano descesse, Cronos usasse sua força e castra-se o pai.
De fato, quando Urano se aproximou de Gaia para mais uma relação sexual, Cronos surgiu e o castrou com a enorme foice. Desta castração, o céu se separou da terra e assumiu a posição que vemos hoje em nosso dia-a-dia.

Titãs da segunda geração e seus irmãos:
Oceano (ou Oceanus): titã mais velho da linhagem de Gaia. Ele é o próprio oceano que cobria a Terra, era sempre consultado por sua mãe antes de algum ato de grandes repercussões. Gerou como seus filhos, os rios, lagos e fontes.

Céos: segundo titã mais velho. Ele é a escuridão, o ladrão de luz, jamais anda sozinho; sempre acompanhado com algum irmão ou irmã que lhe abra caminho para trazer a escuridão. É avô de Apollo e Artemis.

Crios: terceiro titã mais velho. Ele resolveu viver com Oceano e por isso não possui grande importância na mitologia. Sabe-se que se casou com a filha de Oceano, Euríbia (o mar), e se tornou rei dos mares.

Hipérion: era representado por forças solares, ele trazia o dia e a noite, um dos acompanhantes de Céos (sem ele, não haveria escuridão na noite). Casou-se com Téia.

Japeto: era o ciclo da vida. Todo e qualquer ser vivo estava sobre seu olhar, era ele quem decidia o tempo de vida de cada animal, vegetal. Pai de Atlas.

Téia: é a titânide (modo ao qual as titãs de sexo feminino são chamadas) mais velha. É a titã da visão e do céu claro e azul. Ela se casou com Hipérion e com ele teve três filhos; Hélios (o Sol), Selene (a Lua) e Eos (a Aurora); os três passaram a ajudar o pai quando ele adoeceu e não mais podia trazer o dia e a noite sozinho.

Têmis: a segunda titânide mais velha. Criadora e protetora das leis divinas e da ordem em geral (seguida por titãs, deuses e humanos) e presidia o controle das visões de todos os oráculos sobre as profecias. Foi ela quem guiou um humano para a criação das leis e encarregá-lo de disseminar para o resto da humanidade. Têmis não possuia nenhum dos olhos e por isso, andava com uma faixa em sua cabeça que cobria o que seriam os olhos; andava sempre com sua espada divina, a qual destruiria qualquer inimigo se usada corretamente; atualmente, é possível encontrar estátuas desta titã principalmente em advocacias, onde ela é a própria Justiça. Foi uma das esposas de Zeus e o ensinou sobre as leis e regras.

Mnemósine: era a titã das memórias e das lembranças, assim como das palavras e da linguagem. Com Zeus, teve nove filhas, nascidas de um único parto, as Musas. Regia os oráculos subterrâneos e foi muito importante para a cultura grega, pois, quando a escrita era inexistente, a memória era necessária para que os mitos e histórias fossem passados de geração em geração.

Febe: a titânide da inteligência brilhante. Era ela quem comandava o oráculo de Delfos, o qual presenteou ao seu neto Apollo. Febe significa "radiante", "brilhante", assim como "dar o dom da profecia".

Tétis: a titânide das fontes de água doce. Esposa de Oceanus, com ele teve milhares de filhos, dentre eles os rios e nuvens; isto mostra a fertilidade da água. Seu nome deriva do que atualmente traduziríamos como "enfermeira" ou "avó".

Réia (ou Rhea): titânide da fertilidade feminina, maternidade e reprodução. Ela deu à mulher a capacidade da mulher se tornar fértil através da menstruação e deu a benção do leite, a qual alimentaria o bebê nascido. Esposa de Cronos, rainha dos céus e dos titãs; com ele teve seis filhos, os Grandes Seis; Zeus, Hades, Poseidon, Deméter, Héstia e Hera.

Cronos: titã controlador do tempo. Após castrar seu pai, se tornou rei dos céus e do Universo, pois devia manter total controle sobre Urano. Quando sua esposa, Réia, estava grávida; foi avisado por Têmis de que ele seria destronado por um de seus descendentes; assim, passou a devorar cada recém-nascido do ventre de Réia. Porém, ela conseguiu esconder Zeus, que o destronou no futuro.

Irmãos dos titãs:
Hecatônquiros: são três divindades dos ventos furiosos. Deles, se originaram os 4 ventos, Noto (vento do Sul), Euro (vento do Oriente), Zéfiro (vento do Poente) e Éolo ( rei dos ventos, vento do Norte).

Ciclopes: os três primeiros ciclopes a existirem. Extremamente fortes e a perfeição de suas obras manuais eram indescritíveis; tiveram grande importância para os deuses nas guerras titânicas.

Titãs da terceira geração e gerações seguintes: (serão citados apenas alguns, pois existiram mais de cem titãs nesta geração)
Atlas: filho de Japeto. Foi de grande importância nas guerras titânicas por ter guiado a rebelião dos titãs contra os deuses. Por fim, foi condenado a segurar os céus em seus ombros. (explicarei na próxima postagem)

Prometeu: titã da premeditação. Ficou encarregado de moldar o ser humano do barro e lhe dar atributos para que o ser humano se tornasse diferente do que era. Ele decidiu ascender aos céus e roubou o fogo de Apollo, que daria a consciência aos humanos e a possibilidade de questionar aos deuses e tudo a sua volta. Como punição, foi amarrado aos pés de uma montanha e todas as manhãs, uma águia gigante comeria seu fígado; durante a noite, ele se regeneraria e na manhã seguinte a águia voltaria para atormentá-lo novamente.

Leto: titânide da maternidade e protetora dos jovens. Mãe de Apollo e Artemis.

Austeria: titânide dos oráculos e profecias da noite, incluindo os sonhos proféticos e interpretação dos astros (astronomia) e necromancia. Mãe de Hécate e irmã de Leto. Após as guerras titânicas, foi caçada por Zeus e se jogou no mar, Poseidon a escondeu; quando Leto não podia dar a luz em terra firme, Austeria pediu que se transformasse em uma ilha flutuante para que a irmã pudesse dar a luz, Poseidon concordou e a transformou.

Hécate: titânide da magia, bruxaria, da noite sombria, da Lua, rainha dos fantasmas e da necromancia; recebeu o poder sobre o céu, a terra e o mar, assim poderia atuar em qualquer destes locais sem ser perseguida por nenhum titã ou deus. Ajudou Deméter durante a procura de Proserpine com suas tochas iluminando a noite escura. Tornou-se ministra de Perséfone e a fazia companhia no submundo. Sempre segurava duas tochas gêmeas e era a deusa tríplice, onde possuía três faces, cada uma representando uma face da Lua.

Hélios: era o tiã do Sol (o próprio Sol) e guardião do dom da visão. Em uma carruagem, carregava o Sol trazendo o dia e levando a noite. Uma vez, perdeu o controle da carruagem e a Terra começou a se incendiar, Zeus o atingiu com um raio para que fosse morto, porém, Selene o socorreu e diminuiu a intensidade do calor do Sol, tendo assim o eclipse. Por estar ferido, Apollo assumiu seu trono.

Selene: era a titânide da Lua (a própria Lua). Era carregada por cavalos alados, sua coroa era a crescente lunar; estava predestinada a nunca ver seu irmão Hélios, porém, de tempos em tempos, eles podiam se ver e compartilhar da presença um do outro, assim surgem os eclipses. Apaixonou-se por um rapaz humano, o qual Zeus concedeu a imortalidade, mas também um sono eterno; por sua vez, ela o deitou em uma caverna e lá ficaria com ele. Então, Artemis assumiu seu trono.

Eos: era a titânide da aurora. Ela estava sempre entre Hélios e Selene, quando Selene se retirava, ela rasgava a névoa da noite com seus dedos rosados e abria caminho para Hélios trazer o Sol do dia. Possuía grande paixão pelos jovens mortais, tendo se deitado com vários deles; era carregada por carruagens de ouro e cavalos alados; além de possuir um par de asas. Em alguns momentos das guerras titânicas, teve de assumir o trono de Artemis.

Nêmesis: titã da vingança. Era apenas convocada em casos extremos quando o desejo de vingança era maior do que qualquer outro. Possuia uma ampulheta que lhe mostrava quando era o momento correto para iniciar suas obras.

Titãs na atualidade:
Os titãs eram as explicações de vários fenômenos naturais, como chuvas, eclipses, terremotos e outros fenômenos.
Mais tardiamente, foram substituídos pelos deuses após as guerras titânicas. Atualmente, estas divindades geralmente não são lembradas da forma que deviam e acabam sendo rotuladas apenas como criaturas terríveis e irracionais. Citando o desenho "Hércules" da Disney, os titãs são representados como gelo, tufão entre outros; não é errado, porém, eles possuíam a forma humana; o impossível seria eles estarem sobre o controle de Hades e serem retratados apenas como seres malignos.
Muitos dos titãs se rebelaram contra os deuses, outros, por sua vez, foram a favor dos deuses e lutaram ao lado dos mesmos.
Agora, fiquem com a postagem seguinte que é sobre a guerra titânica.
 Escrito por Felipe M.

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