Novo por aqui?

Aqui você encontra tudo para seus caminhos e filosofias mágicas ou de aprendizado! Junte-se a nós e vamos crescer juntos!

Mostrando postagens com marcador Crônicas/Contos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crônicas/Contos. Mostrar todas as postagens

Cerridwen, deusa de poder e sabedoria

Ceridwen ou Cerridwen (lê-se Quériduen) é a deusa celta de alta hierarquia perante a sociedade celta; sua hierarquia se sobressai apenas em deitades femininas, sendo que masculinas se sobressaem Lugh e Dagda.
Muitos afirmam que Morrighan se encontra em status próximo à deusa, outros dizem que está um abaixo ou acima, depende da filosofia da vida de quem a conhece; é muito ligada a Porca Branca (não é uma comparação ofensiva), pois diz-se que a deusa prefere a forma de Porca selvagem para observar os mortais, tende sido representada assim em diversos contos.

Atributos divinos:
Cerridwen é a deusa da vidência e da magia, tendo adquirido a posição de rainha e protetora da prática e de seus praticantes. É também deusa do conhecimento, tanto mágico como geral; e ao contrário de muitos deuses, possui a habilidade de se transmutar em plantas ou outros animais, deusa da morte e renascimento, fúria, intuição, transformação (espiritual, psicológica, etc) e inspiração.

Importância na tribo de Danna:
Cerridwen é a deusa de maior importância para os demais deuses, isto acontece por seu dom de magia. Antes dos deuses serem imortais, eles decidiram que cada integrante da tribo trabalharia e pesquisaria um meio de simples homens e mulheres se tornarem divindades; quem conseguiu tal proeza foi o cozinheiro que criou a bebida divina, dando imortalidade aquele que a bebesse. Tal cozinheiro fora aprendiz de Cerridwen quando ainda novo, aprendendo um pouco de magia e receitas.
A deusa ficou feliz por seu aprendiz, porém a bebida não evitava o envelhecimento, foi então que a deusa o aprimorou e criou juntamente a poção de sabedoria. Mas, como ela não desejava que todos conhecessem suas magias e poções, trabalhou em diversas poções de conhecimento, onde cada uma cedia um conhecimento específico; originando assim o conhecimento de cada deus.
Ela é a guardiã dos segredos divinos, dos segredos no Universo e é ela quem encanta as armas e ferramentas que são usadas pelos seus irmãos de alma (deuses).

Cerridwen e Gwion:
Certa vez, Cerridwen decidiu dar ao seu filho Affagdu um presente supremo; ela havia decidido compartilhar com ele o segredo do Universo e dos deuses. Ela começou a preparar a poção de conhecimento e depois de dias produzindo a bebida, foi chamada por Dagda para uma reunião sobre o ataque que haviam sofrido dos Fomore; a deusa formou o círculo de proteção sobre o caldeirão, porém ele evitaria espíritos e seres mágicos de atravessarem o círculo e se aproximarem do caldeirão, ela então deixou o jovem Gwion, seu ajudante humano, a cuidar do caldeirão contra a aproximação de qualquer outro ser.
O jovem lá ficou e cuidou do caldeirão, atento a tudo e a todos, foi então que viu algumas gotas escorrendo pela lateral do caldeirão e decidiu experimentar o sabor; passou o dedo nas gotas e as levou direto para a língua, Cerridwen, de longe esbravejou contra o seu ajudante traidor e abandonou os demais deuses para caçar o jovem ingrato.
Gwion havia adquirido o dom da vidência e o conhecimento das magias e poções, além de onde encontrar os deuses sempre que desejasse, apenas com três gotas; ele sabia que sua mestre viria furiosa para destruí-lo, foi então que correu entre os bosques e se escondeu.
Cerrdiwen não se deixava fazer de boba, muito menos ser enganada, ela sabia cada movimento do pequeno rapaz e correu atrás dele; o rapaz pensou em um plano, se camuflar entre rebanhos e manadas selvagens, ele se transmutava e a deusa tinha de procurar um por um, pois sabia que um daqueles animais era o jovem, mas, qual deles?
Gwion se tornava um pequeno rato e Cerridwen se tornava uma terrível águia, se ele se transmutasse em um coelho, ela se tornava uma raposa e assim por diante. Depois de dias sem sucesso, a deusa decidiu seguir o rapaz, mas não atacá-lo; esperar o momento certo, ela se transformou em um porco branco e seguiu o rapaz que não desconfiava de nada.
Ele teve o pensamento de retornar ao caldeirão e beber mais da poção (ou destruí-la, segundo outras fontes), quando se aproximou Cerridwen deu seu grito gélido de vitória e o rapaz, sem onde correr, entrou na dispença da deusa e se transmutou em um grão caído no chão. A deusa, sem mais delongas, se tornou uma galinha e devorou Gwion, acabando com sua vingaça e fúria.

Cerridwen e Taliesen:
Após nove longos meses que engolira Gwion, a deusa deu a luz para um bebê mortal e que se tornaria grande e conhecido perante eras e civilizações.
Cerridwen ficou horrorizada com o que havia acontecido, ela deu a luz aquele quem havia matado; ela foi o caminho para o jovem renascer; sua fúria se tronou clara naquela noite de Samhain e seus olhos viam aquele bebê implorando pela morte, entretanto, a consciência dela falou mais alto. Ela já obteve a vingança tão esperada, se ela deu luz ao jovem que assassinou, era a forma dela pagar pelo ato cometido.
Sem dúvida, ela decidiu não matar aquele bebê indefeso, porém não aceitava ficar com ele; ela correu ao mar e colocou o bebê em uma cesta e o deixou a mercê do mar, se o bebê morresse, ela não estaria diretamente ligada, e sim o Destino, por deixar que aquele bebê morresse. Mac Lir (deus dos mares) viu tal cesta com um bebê e decidiu afastar a criança que chorava desesperadamente, suas ondas levaram o bebê para a praia, onde Elffin, um príncipe celta, encontrou a cesta e decidiu levar a criança ao castelo.
O menino cresceu sadio e cheio de vigor, quando começou a frequentar o círculo dos sacerdotes reais, eles previram que o jovem era filho da deusa e avisaram Elffin (já então rei); a deusa surgiu na sala do trono e ordenou que o jovem jamais soubesse aquela descendência, se não, todo o reino seria destruído.
Elffin contou então ao jovem que seu pai era um deus da Natureza e que a mãe havia morrido logo após ao parto, deixando o jovem um tanto triste, mas repleto de vigor por saber ser descendente de um deus. Com os anos, Taliesen se tornou o bardo da corte de Elffin.
Certa vez, Elffin fora capturado pelo rei de gales e foi preso por correntes mágicas. Taliesen então propôs uma disputa de discursos, quem vencesse, teria Elffin livro ou preso; foi então que seu sangue ferveu e aquelas três gotas de poção se demonstraram presentes, enraizadas em seu coração e sua mente. Começou a discursar e sua eloquência foi tão bela e tão poderosa que o rei concordou em sua derrota mas não soltaria aquelas correntes mágicas; Taliesen disse:
"Não necessito que soltes meu rei, tuas correntes são mágicas, mas meu conhecimento é muito mais."; então as correntes se soltaram e libertaram o rei preso.
Taliesen foi nomeado como o bruxo e seu conhecimento o levou até o posto de Merlin (sacerdote supremo); quando Elffin morreu pela idade, Taliesen pressentiu um rei que necessitaria de sua ajuda, encontrando assim Arthur e se tornando seu melhor amigo e conselheiro.

Como era representada?
Cerridwen era muitas vezes representada como uma simples mulher, não tão jovem, mas não idosa. Ela era chamada de "A Anciã", por ser a mais velha da tribo de Danna e é associada à fase Negra da Lua (Lua Minguante e Nova); muitas vezes era representada como uma porca branca (também um javali) ou um caldeirão.

Objeto Mágico:
Cerridwen possui um caldeirão mágico, o qual está repleto de poder e magia; é ele quem a ajuda a produzir as poções necessárias. Alguns contos dizem que o caldeirão possui desejos próprios e vida, sendo que muitas vezes, ele começa a preparar a poção apenas pelo simples pedido da deusa. Quando ele se enche, qualquer objeto mergulhado se torna divino e mágico, adquirindo também vida.

Na atualidade:
Cerridwen está muito presente nos dias de hoje pelos politeísta e panteístas, assim como pela Wicca. Ela não recebe um festival próprio, porém, em cada prática, movimento e ações que praticamos que envolva magia, ela está a nos observar e a se fortalecer por praticarmos a arte que ela nos possibilitou aprender.
Alguns historiadores dizem que o rei Arthur fora influenciado por Merlin (Taliesen) a procurar o Santo Graal; mas com o cristianismo crescendo, ele acreditou que era alguma forma de taça, foi então que em sua morte, Taliesin abriu caminhos para Avalon (onde apenas deuses poderiam ir) e disse que o Santo Graal não era uma taça, mas sim o caldeirão da deusa.
Perante os crentes, o fato de um "santo graal" ser o caldeirão da deusa não é impossível, sendo que o Caldeirão dela era o objeto que gerava a vida, o conhecimento e os dons de todo o mundo e divindades.
Por hoje, fico por aqui com um enorme abraço e preparado para esta Segunda-Feira repleta de forças!
Escrito por Felipe M.

Origem dos deuses celtas

Olá pessoas, aqui neste post eu falarei sobre como os deuses celtas se originaram e algumas semelhanças com outras religiões politeístas.
Como já foi dito aqui anteriormente, a tribo de Danna e os Fomore eram as tribos divinas, enquanto um caracterizava a bondade e a luz, a outra simbolizava o mau e as trevas de um modo geral. Os Fomore, pelo que constam as lendas e epopéias celtas, foram os primeiros seres "humanos" a existirem; isso ocorre pelo fato de eles terem se originado junto com o solo da Terra, brotando como plantas e um solo fértil.
De alguma forma, os celtas não citam como, o ser humano nasceu; talvez evolução ou obra da própria mãe Terra, já que os deuses ainda não existiam neste período. Conta-se que a Terra era imersa em pura escuridão em ausência do Sol, onde a noite reinava e a vida seguia seu curso conforme lhe era possível; mais para frente, alguns anos (centenas passadas), surgem quase que misteriosamente uma tribo que é constituída de seres divinos e poderosos que trariam o que o ser humano necessitava para uma vida boa, alegre e fértil; esta é a tribo de Danna.
Mas, como Danna surgiu? Como ela poderia ser considerada uma deusa? Por que os que vieram depois dela e seus antecedentes eram deuses?
Voltando a muitos anos atrás, conta-se uma lenda celta a qual muitos chamam de "O Nascimento dos Deuses" (existem muitos nomes, depende da tribo que contava, dos livros e historiadores); apesar de o título se diferenciar, a essência é idêntica.
Uma pequena tribo de homens vivia isolada em um lugar muito distante, citada como uma ilha cuja localidade é desconhecida. Cada homem tinha um conhecimento diferente do outro, um era grande cozinheiro, outro um grande construtor, grande ferreiro, etc., certa vez, eles se uniram e através da ajuda da Grande Mãe (Terra), eles moldaram uma mulher da terra e barro e dela, se originaram outras; assim, a tribo aumentava, mas a doença os atingia como qualquer ser humano comum, em uma reunião entre os integrantes, eles tentaram arranjar uma forma de não serem atingidos pela fome, pobreza, tristeza, doença e morte.
Como eles conseguiriam? Era o que todos se perguntavam, porém, cada um prometeu dar o melhor de si em suas ciências e arranjar a resposta. Durantes dias, semanas e meses, cada um trabalhou sozinho e dava o melhor de si para realizarem o objetivo. Foi então que o cozinheiro descobriu uma receita mágica!
Ele preparou cervejas para todos os integrantes e cada um bebeu um farto caneco, nem mais, nem menos; desta cerveja mágica, eles se tornaram imortais e resistentes as doenças.
Mais algum tempo se passou e o artesão de couro, o qual fabricava as roupas da tribo, conseguiu uma pele mágica (alguns citam como de javali) e fez uma grande capa, tão perfeita, que o couro quase que não fora desperdiçado na manufatura. Todos o questionaram para que servia aquela pele, ele então trouxe um animal a beira da morte e uma farta bacia de água; levemente, ele mergulhou a capa de couro na água e a retirou rapidamente, a água começou a mudar de cor e num tom avermelhado como sangue, se transformou em vinho; aquele vinho tinha a propriedade mágica de curar qualquer doença e dor de um ser vivo, até mesmo livrá-lo da morte próxima (por curto período de tempo).
Uma das mulheres (Cerridwen), trouxe seu gigante caldeirão e após anos trabalhando em uma poção mística, conseguiu uma perfeita poção. Novamente a tribo se reuniu e aquele caldeirão conseguia produzir poções de sabedoria, quem a bebesse, se tornaria uma pessoa sábia e saberia todos os segredos da magia.
Outra mulher, conseguiu criar (através de misturas naturais) árvores que geravam maçãs douradas, elas dariam o conhecimento sobre tudo que era terreno, desde meros conhecimentos básicos até o segredo de todo o Universo.
O artesão criou vários instrumentos e objetos, todos mágicos e que seriam manuseados apenas por quem estivesse preparado para seu uso. Dentre os objetos, estão algumas armas divinas (que citarei mais para a frente) e a Harpa e o Caldeirão de Dagda.
Os anos foram se passando e as gerações mudando; logo se viram em confronto com os Fomore após a mudança da sua ilha e com isso, a morte de muitos se resultou nestes momentos de guerra. Um pacto brando foi feito entre ambos e viveram em trégua; com muitos dos anciães mortos, o arquiteto retornou aquela mesma ilha onde os segredos foram descobertos; lá, ele construiu um palácio que muitos citam como sendo dourado como ouro e aos redores, semeou as sementes das maçãs douradas. Esta ilha passou a ser chamada de Ilha das Maçãs, uma moradia dos deuses.
Dagda, Cerridwen e alguns outros deuses de gerações mais recentes se tornaram os guardiões e protetores dos segredos e dos objetos mágicos, e a partir deles, temos as histórias e contos que nos influenciam até hoje.


Complexidade divina:
Não há muito que contar sobre como os deuses se originaram; os próprios celtas contavam esta como uma lenda breve e curta; sem muitos detalhes. Entretanto, é possível perceber que os deuses são de essência humana e eram assim antes de receberem o título de divindades.
Por que são chamados de deuses?
Os celtas os chamavam de deuses, porque mesmo sendo humanos em sua totalidade, as divindades celtas seriam intituladas como tal se fossem descendentes diretos de algum deus e conseguissem controlar:
-Algum elemento natural (rios, pedras, o Sol, a Lua, etc.)
-Ter controle e conhecimento sobre os 4 elementos (Água, Terra, Ar e Fogo)
-Tivessem algum dom especial (conhecimento em poesias, guerra, etc)
-E o mais importante, possuir o conhecimento da magia (dado em objetos ou rituais que possuiam e faziam)

O surgimento da mulher:
A mulher para os celtas era extremamente divinizada. Segundo muitos contos celtas, é possível perceber que as mulheres já existiam em outras tribos e não se originaram pelos deuses como para os gregos, cristãos, etc; entretanto, esta criação mostra que a mulher é grandiosa perante os olhos masculinos celtas e que os próprios homens as divinizaram, tendo grande importância.
Poderes femininos:
Para os celtas, as mulheres eram portadoras de grande força, não como o homem (força bruta); elas possuíam o dom da vida (a gestação), o dom da proteção (como mães; os homens tinham como proteção de tribos e em batalhas) e principalmente da magia e conhecimento. Nota-se que todos os poderes e criações dos deuses se voltam para a vida e principalmente o conhecimento.

A reunião divina:
Apesar de terem bebido a cerveja, ela não era tão poderosa assim; ela possuía um prazo de efeito (como uma validade), ela teria efeitos mágicos durante exatos 1 ano da Terra. Nas reuniões posteriores, foram estabelecidas regras para adquirir a imortalidade; os deuses deveriam merecer tal presente, fazendo o possível para ajudar os humanos. Assim, estabeleceram um dia específico para que a bebida fosse feita novamente e os deuses a bebessem; este dia foi o dia de Samhain, 31 de Outubro; onde os deuses aproveitariam a mágica deste dia e renovariam a imortalidade.
A morte de alguns deuses mesmo sob o efeito da cerveja:
Apesar de a cerveja dar a imortalidade aquele que a bebesse, muitos deuses morreram em batalhas contra os Fomore; isso ocorre pelo fato de os próprios celtas os considerarem como deuses, porém ainda possuem uma parcela humana. A cerveja os livrava do envelhecimento e a morte natural; porém, ao declararem guerra, eles poderiam ser mortos em batalha, ou seja, poderiam ser assassinados.

Os itens mágicos:
Nas reuniões, eles impuseram mágicas sob os objetos as quais as tornariam possíveis de apenas um deus as controlarem; nenhum mortal conseguiria tocar a Harpa de Dagda, nenhum ingrediente entraria no caldeirão de Cerridwen, muito menos manusear as armas (já que elas tinham vida própria).
Os mais importantes foram a bebida de Cerridwen e as maçãs douradas. Cerridwen ficou incubida de dar a bebida para quem ela desejasse (ela é muito sábia); porém, as maçãs douradas foram proibidas para qualquer um, humano ou deus. Os deuses possuíam uma regra que era levada como a principal "Nenhum ser tem o direito de conhecer todos os segredos do Universo", então, qualquer um que comesse da fruta, seria morto sem julgamento (sendo mortal ou não).
Percebam a diferença entre a fruta em questão e a comparem com a situação de Adão e Eva na bíblia e no cristianismo; alguma semelhança?

A trégua entre os Fomore e os integrantes da tribo de Danna:
A mitologia celta é uma em que a trégua entre Luz e Trevas é bem percebida; não como os gregos, onde titãs ajudam os deuses, porém os deuses de Luz se unem com o das Trevas e formam um grupo muito imporante. Isso ocorre porque os celtas visavam o balanço universal, como muitos filósofos já disseram e se adéqua muito bem neste contexto é "A vida não existe sem a morte, a bondade não existe sem a crueldade e a luz não existe sem trevas".
Porém, para deixar claro, mesmo com a trégua, alguns deuses de ambas as tribos travavam batalhas pessoais com determinados integrantes rivais.

A Ilha das Maçãs:
A ilha em questão, foi criada para servir de moradia aos deuses da tribo de Danna; porém, em um consenso, todos preferiram habitar o Primeiro Mundo. A ilha se tornou um local para guardar os itens mágicos dos deuses e de lá, não saírão por mãos mortais.
A ilha recebeu o nome por todas as árvores serem as macieiras das maçãs douradas do conhecimento. Dizem que com os anos, as maçãs caíram no chão e as raízes das plantas abaixo das árvores absorveram os nutrientes da fruta e adquiriram o tom dourado. Para quem não sabe, a Ilha das Maçãs era o nome mais comum celta para o que hoje conhecemos como Avalon.

Espero que tenham gostado e já sabem; quaisquer dúvidas podem perguntar que responderei com prazer!
Abraços enormes!
Escrito por Felipe M.

A sereia e o marinheiro

O dia era 13 de Dezembro de 2009, já está para completar 1 ano que este fato ocorreu; entretanto, sempre que contava para as pessoas, eu era chamado de louco e até mesmo obsessivo por histórias de ninar.
Eu e o Júlio havíamos combinado na Sexta-Feira de passarmos o fim de semana na praia, algo entre amigos; como iríamos para a praia de Maresias, pensei em chamar a Luciana, que aceitou o convite sem pensar duas vezes. No Sábado de manhã, as malas já estavam todas arrumadas no carro e partimos logo as 7 da manhã, afinal, quanto mais cedo sairmos, mais cedo chegamos lá!
A viagem foi tranquila, não havia muito trânsito e a temperatura estava amena, não estava aquele calor escaldante. Quando chegamos, tratamos de abrir toda a casa; ela já estava limpa pelo fato de quando a alugamos, o proprietário já disponibilizou uma empregada para a limpeza; sem dúvida alguma a casa estava impecável. Quando o relógio marcou 12 horas, já estava tudo arrumado e pronto para que pudéssemos sair e nos divertir.
A porta dos fundos dava de cara com a praia, água cristalina, areia branquinha, quase ninguém na praia; foi admirando a paisagem que ouvi um enorme rugido vindo detrás de mim, num pulo me virei para ver o que era, então escuto o Júlio dizendo:
-Caraca! Isso fui eu? Pessoal, acho que a gente vai ter de sair para comer alguma coisa; meu estômago já está rugindo em protesto!

Em poucos minutos, estávamos prontos para sair para um restaurante e comer algo. O único ruim da casa era a sua localização; haviam outras casas próximas, mas para chegar ao mercado e padaria e o centro da cidade deveria se dispor de carro por causa da longa distância. Encontramos um local que se assemelhava a um bar de happy-hour e serviam almoço também; sem dúvida alguma paramos lá. O local era bem interessante, haviam redes de pesca penduradas na parede, as paredes eram revestidas com madeiras, o que dava a impressão de ser a parte interna de um barco; as cadeiras se assemelhavam a barris, mas eram muito confortáveis; nos sentamos na mesa e logo fomos atendidos.
Estávamos almoçando e conversando quando uma risada alta vinda do balcão nos chamou a atenção.
-Ora Valter, você bebeu cerveja amanteigada de novo, creio que pela sua história foi o rum com muita cerveja! Isso não existe! -o dono do bar disse para um senhor sentado no balcão-.
-Estou dizendo a verdade Luís! -o senhor disse- Não estou delirando! Eu vi ela nadando perto do meu barco! Se eu não acelerasse a pobre Dançarina, eu ia parar sabe aonde?
-Aonde? -o dono perguntou com um olhar de ironia-.
-No fundo do mar! Estou dizendo, essas amaldiçoadas não estão me deixando pescar!
-Valter, acho melhor você e a Dançarina se aposentarem!
-Jamais! A Dançarina é o melhor barco de pesca de toda a costa, e eu não sou tão velho para me aposentar.

O senhor disse esta última fala em um tom alto e nervoso, se levantou e saiu marchando do bar.
Pensamos que era uma simples história de pescador e que o senhor já estava ficando maluco, talvez a idade e o excesso de Sol na careca. Voltamos para casa e ficamos na praia até o entardecer; depois, decidi ir até a padaria pegar alguns pães e frios para comermos. Peguei o carro e fui sozinho até a padaria; lá, encontrei novamente o mesmo senhor, sendo repreendido pelo caixa, que dizia que ele estava ficando louco e inventava histórias por não ter conseguido pescar nenhum peixe.
O velho ficou do lado de fora, olhando para o céu e praguejando tudo e todos; foi quando puxei conversa:
-Boa noite! Tudo bem com o senhor?
-Sim! Eu não te conheço! Ou conheço e não me lembro?
-Não me conhece, mas é a segunda vez que o encontro hoje! A primeira foi no bar durante o almoço.
-Ótimo, mais um que vai me chamar de louco!
-Não, não! Gostaria apenas de saber o que aconteceu para que dissessem isso do senhor!
-Sereias, meu jovem, sereias! Elas estão perto da praia só observando a gente; mas esse bando de céticos não acredita!
-Hum, interessante!
-Você não acredita, não é?
-É um pouco difícil de acreditar, mas não impossível!

O velho saiu batendo os pés e entrei no carro e fui para casa. Lá, tomamos um belo café, rimos muito e assistimos um filme no dvd. As 23, o pessoal foi se deitar e eu continuei na sala assistindo TV; estava passando um filme interessante no canal 5 e me perdi no clímax do mesmo. De repente, escutei risadas vindas do lado de fora, olhei pela porta de vidro e não vi ninguém; elas vinham da praia e pareciam ser de mulheres.
Depois de um tempo, as risadas cessaram e voltei a ver o filme; mas ouvi algumas mulheres chamando aqueles que as ouvissem. Sem pensar duas vezes, fui até a praia e procurei de onde estavam vindo. Não encontrei nada nem ninguém; quando me virei, ouvi o som de algo saindo da água, me virei e lá estava ela, uma bela jovem de cabelos louros, olhos esverdeados bem claros, seios voluptuosos e uma cauda escamosa!!!
Com o susto, caí no chão e fiquei sem movimento algum, nem mesmo conseguia dizer uma só palavra.
-Não se assuste! Finalmente alguém veio até aqui! Estamos há tempos tentando fazer com que viessem nos ver! -sua voz era suave e angelical- Venha aqui!
-N-não! E-eu v-vou acordar daqui a pouco! Isto é um sonho!
-Sonho? -ela me fitou com olhos curiosos- Você está acordado! Venha!

Ela gesticulou com as mãos em um sinal de que eu me aproximasse, minhas pernas criaram força e me aproximaram dela sem minha vontade. Eu me sentei e ela deitou sua cabeça em meu peito; parecia querer dormir nele, sua respiração era muito calmante e nem parecia que ela estava deitada sobre mim de tão leve que era.
Em um movimento lento, ela se aproximou de meu rosto e beijou meus lábios, passou a mão pelos meus cabelos e então decidi me juntar a ela. Nos beijávamos como se não existisse tempo nem outras pessoas no mundo; quero dizer, outras pessoas e sereias!
Uma música se iniciou ao fundo, e quando abri os olhos, haviam sereias nos observando e cantando, não havia instrumento algum, apenas suas vozes me levando ao êxtase e à um prazer estranho, diferente de tudo que havia sentido. A sereia parou de me beijar e passava as mãos sobre meu peito com extrema gentileza; quando me dei conta, a maré havia subido e havia coberto metade de meu corpo e ainda continuava a subir.
-Pare! A maré está subindo, tenho que sair antes que me afogue!
-Já vai meu amor? -ela disse calmamente- Fique mais um pouco!

Eu recuperei meus sentidos e me levantei, rapidamente, ela segurou meu braço com força e a leveza que sentia antes, se tornou como uma pedra muito pesada; eu não conseguia me mover, então, as outras sereias mudaram o tom de sua canção e a maré começou a subir rapidamente, em poucos segundos minha cintura estava submersa.
Eu consegui me soltar da sereia e comecei a correr; a música então, começou a entrar pelos meus ouvidos, fazendo com que meus pensamentos se tornassem lentos e meu corpo pesado. Com muito sacrifício entrei em casa e fechei as portas; tirei a roupa e me deitei na cama. Naquela noite, sonhei com a mesma sereia me chamando por outro nome, eu me encontrava em uma embarcação e ela nadava em volta de mim e dizia:
-Quando você volta?
-Volto assim que puder meu amor! Eu te amo, minha querida!
-Mas queria que ficasse comigo a partir deste momento!
-Não posso; não ainda! Tenho uma última viagem a fazer, assim que terminar voltarei uma vez mais ao mar e deixarei que me leve com você!

Na manhã seguinte, acordei com Júlio e Luciana mexendo na cozinha, me levantei com uma enorme dor de cabeça. Eu me mantive longe da praia o dia inteiro, no fim da tarde, arrumamos as malas e fui dar uma última olhada no mar.
Lá encontrei um grupo de pessoas vestidos de branco colocando pequenos barcos de madeiras na água, me aproximei para ver o que era; os barcos estavam repletos de pulseiras, colares e até mesmo flores, todos cantavam muito alegremente seguidos do som de atabaques.
Júlio se aproximou e disse que devíamos partir antes que ficasse mais tarde e que não devíamos atrapalhar a oferenda deles. Muito curiosamente, perguntei para um senhor moreno e alto o que estavam fazendo e ele me respondeu:
-Estamos fazendo oferendas ao mar e as sereias!
-Oferendas para Iemanjá, certo? Minha família era grande devota dela!
-Não meu rapaz! A oferenda dela já foi entregue no dia 8, hoje é dia dos marinheiros! E a oferenda está sendo feita para uma sereia em particular.
-Jura?
-Sim! Esta sereia é especial para nós, ela tem uma história muito triste.
-Poderia me contar?
-Há alguns anos atrás, havia um marinheiro que fazia viagens com sua embarcação para a venda de produtos de uma região à outra da costa brasileira. Certa vez, ele encontrou uma linda sereia loira e bela, era a criatura mais bela que ele já havia visto; sempre que ele partia para o mar, viajavam juntos e se amavam, até que um dia, ele pediu permissão para Iemanjá e ela aceitou o pedido.
-Que pedido foi esse?
-O de se casar com a sereia que amava. Eles se casaram, de fato, e ela pediu que ele fosse morar com ela no mar, porém, ele disse que tinha uma última viagem de mercadorias para fazer e que quando terminasse, seria dela pela eternidade. Mas quando chegou em seu destino, um grupo abordou o marinheiro e além de roubarem as mercadorias, eles o assassinaram. Assim, ele nunca pode voltar para sua amada, e todos os anos, ela vem até esta praia, onde o seu amor a encontrava e pergunta aos pescadores se seu amor ainda vive; aqueles que dizem que não, são castigados sem nenhum peixe na rede e o terrível canto.
-Mas por que dia 13?
-Porque é o dia é o mesmo em que o marinheiro nasceu, o mesmo dia que a encontrou e o mesmo dia da sua morte.
-Então, ela vem aqui e espera pelo seu amor?
-Sim! E dizem que o homem que ouvir seu chamado e se deitar com ela mais uma vez, será puxado para as profundezas; pois este mesmo homem é a reencarnação do marinheiro.
-Que estória maluca!!! -Júlio disse rindo- Vamos embora!

Rapidamente nos dirigimos ao carro e fomos embora. Desde então, tento contar minha história e as pessoas não acreditam.
Aqueles que em mim acreditam, agradeço; os que não acreditam, agradeço também por terem me ouvido. Mas queria agradecer também ao dono deste Baú por me ceder espaço e dar a possibilidade de contar minha história, a história do meu amor!
 Escrito por Felipe M.

Guerras Titânicas

A guerra foi um conjunto de batalhas onde os titãs e os deuses se enfrentaram por vários anos, um período de tempo tão longo que seria impossível de descrever em palavras. Todas elas foram causadas pelas ações de um único titã, Cronos, que desencadeou gigantesca raiva em seu filho Zeus.
Gaia evitava interferir em questões que não lhe convinham, entretanto, se ela estivesse ameaçada ou fosse desafiada, sua fúria moveria sóis e planetas, todo o Universo sentiria sua força e sua vingança recairia sobre nós, mortais.
Réia havia escondido seu bebê, Zeus, na ilha de Creta, onde ficou sob cuidado de duas ninfas e Gaia iniciou o jovem deus em uma jornada, qual era essa jornada? Por que interferir apenas agora? Por que não deixá-lo ser engolido pelo pai?
No início da reorganização contra o Caos, Gaia criou Urano para lhe fazer companhia e ser seu parceiro para todos os momentos; mas o medo de perder o trono fez com que ele aprisionasse todos seus filhos no ventre da grande titã, é claro que o ódio era movido pelas terríveis dores de todos seus filhos adultos em seu ventre. Sem nenhuma dúvida, Gaia se vingou de sua criação ordenando que Cronos castra-se o próprio pai. Assim lhe foi ordenado, assim o fez.
Por sua vez, ele recolheu o sangue de seu pai e deixou que escorresse por entre a vagina de Gaia, o sangue fez com que os filhos pudessem novamente sair do ventre que os aprisionava; ela por sua vez, presenteou Cronos com o trono de senhor dos céus e do Universo, desde que vigiasse o pai. Cronos reinava com destreza e se casou com sua irmã Réia. Têmis o avisou que Cronos era fértil, assim como sua esposa, sendo assim, gerariam filhos fortes e sadios; porém, um destes filhos o destronaria.
Cronos se desesperou, pois sofreria exatamente o mesmo que fez com seu pai; ser destronado pelo próprio filho, por alguém muito menos inexperiente. Quando Héstia nasceu, ele a engoliu sem nenhuma cerimônia, simplesmente a pegou em suas mãos e jogou para dentro da boca. Os titãs estranharam a atitude de Cronos, ele nunca havia feito algo tão radical assim, porém, ninguém além dele, Têmis e Réia sabia da profecia. Deméter nasceu alguns meses depois, ele fez o mesmo com a criança; foi a gota d'água, a segunda criança de seu próprio sangue ser engolida? Isso era um absurdo para suportar o fato de um rei que sempre reinou de forma justa atuar daquela maneira; assim, os titãs iniciaram uma revolta contra Cronos e tentaram destroná-lo, mas foi inútil. Réia poderia ter ajudado se não fosse o fato de se subordinar totalmente a ele; em um ato de fúria, Cronos aprisionou todos os irmãos no ventre de Gaia. Foi então que o desastre começou, ela precisava de um titã poderoso que estivesse disposto a ajudá-la.
Réia resolveu agir contra a ação do marido e escondeu Zeus e uma pedra foi engolida em seu lugar; esta era a chance. Uma nova geração de titãs, mais próximos ao homem, tão fortes quanto os titãs, porém, com alguns ganhos, algumas coisas são perdidas. Mesmo sendo de uma nova geração, mais forte que a anterior, estas crianças não tinham o controle da natureza como seus antecedentes. Gaia se mostrou para Zeus e lhe contou sobre seu pai e que ele tinha um trono a herdar; mas ele teria que se preparar antes de tudo.
Sendo ensinado por Gaia, ele teve de encontrar Métis, uma titânide da terceira geração, sua prima. Ela havia escapado da fúria de Cronos e se escondia em um pântano onde nenhum mortal sobreviveria e que até um titã deveria se mostrar capaz de atravessar.
Esta foi a prova que Zeus precisava, ele procurou por todo o pântano e não sofreu nenhum mal, pois todos os seres que ali habitavam (gerados por Gaia) sabiam que ele era a salvação, mas colocaram obstáculos como lições para o jovem. Encontrando a titã, ela o acolheu e lhe ensinou tudo o que sabia, desde técnicas de cura até as de batalha, ele se fortaleceu e sua ansiedade por se vingar do pai apenas aumentava.
Métis preparou uma bebida que faria Cronos vomitar todos os irmãos e assim, com todos os três deuses (Hades, Poseidon e Zeus), seria possível a queda de Cronos.
Zeus foi até o mais distante ponto da Terra e lá encontrou seu pai e sua mãe, sentados nos tronos; se passou por um simples homem que queria agradar ao supremo senhor e lhe entregou a bebida. Sem pensar duas vezes, Cronos virou o líquido na boca e o tomou num único gole, instantes depois, ele vomitou seus filhos e a raiva se alastrou por seu corpo. Réia, assustada, levou as três filhas para a proteção de Tétis (que também havia escapado), os três deuses lutaram contra o pai, mas não estavam preparados para vencê-lo, foi então que Réia interferiu na batalha e imobilizou seu marido e permitiu que os filhos fugissem.
Com todos os seis reunidos, eles puderam resgatar os titãs de dentro do ventre de Gaia, a qual ficou extremamente grata; porém ela alertou:
"Demonstraram muita coragem e força em lutar contra Cronos, vosso pai, senhor do Universo; mas necessitam algo mais, armas poderosas que lhes ajudem na batalha final."
Sem mais demora, Métis guiou os três aos pés de um vulcão onde viviam os três Ciclopes. Em gratidão por terem resgatado eles e salvo a mãe das dores, eles eram excelentes ferreiros e criaram três armas poderosas para presenteá-los. Para Hades, foi entregue um capacete o qual quem usasse, ficaria invisível; para Poseidon, um tridente o qual foi forjado com ajuda de Oceanus, que lhe daria certo controle sobre as águas; e para Zeus, uma arma poderosa, os raios.
Métis alegou que seria prudente se eles atacassem Cronos rapidamente, pois eles não dispunham de tempo, afinal, Cronos o controlava e faria algo para se vingar.
Os três se dirigiram ao trono do pai e lá o convocaram para uma batalha decisiva, ele se levantou, pegou sua foice e partiu para o ataque; Poseidon impediu que a foice tocasse Zeus através de seu tridente, Hades vestiu o capacete e invisível agarrou seu pai por trás e impediu que ele se movesse, por fim, Zeus lançou seus raios no peito do pai; fazendo-o cair no chão sem possibilidade de se levantar.
Mas ainda não era motivo para vitória, ele iria se levantar a qualquer momento, então, os Ciclopes trouxeram correntes tão fortes quanto o próprio corpo de Gaia e o amarraram de tal forma, que seria impossível que ele se levantasse; seus tornozelos foram amarrados com correntes interligadas ao pescoço, quando ele tentasse se levantar, estas correntes puxariam uma espécie de coleira com pinos pontiagudos que atravessariam seu pescoço se ele continuasse a tentativa.
Por fim, eles o jogaram em um deserto onde nem mesmo um deus poderia escapar, e lá, ele vagaria perdidamente tentando encontrar a sua saída, a qual jamais acharia.
Zeus se casou com Métis em agradecimento da ajuda e como havia derrotado o pai, era regente do Universo e poderia controlá-lo quando necessário. Hades criou o submundo e lá reinou; Poseidon, com sua índole, decidiu tomar controle dos mares, enfrentando diretamente Oceanus; este por sua vez, recorreu a ajuda de Zeus. Mas Poseidon lhe disse que tinha o mesmo direito de reinar, e como já haviam reinado os céus e o submundo, e Gaia no controle da Terra, ele devia adquirir os mares; Zeus concordou e fizeram disso um acordo. Os três iniciaram uma batalha contra Oceanus e seus filhos, a qual Poseidon reinou; alguns titãs preferiram não interferir e se calaram. Quando Métis engravidou, Gaia pagou o débito que possuía e profetizou:
"A criança que vier do ventre de Métis te destronará, assim como fizestes com teu pai e o teu pai com teu avô"
Zeus temeu o pior e engoliu Métis em um jogo de transformações. Os deuses nada disseram sobre o assunto, mas os titãs se revoltaram, primeiro Cronos castra o pai e os aprisiona, engole os filhos, agora Zeus aprisiona o pai, engole a esposa e luta contra Oceanus e seus filhos. Era definitivamente a gota d'água; os titãs então se separaram em dois grupos bem distintos, o primeiro era totalmente a favor da destruição de Zeus e os outros deuses, enquanto outra parte se mostrou imparcial, não se opunham, mas também não participaram de nada. Atlas então se prontificou como líder e guiou vários titãs para a guerra, ao contrário de Cronos, ele recrutou os titãs que antes se mostravam imparciais, através de promessas e preparou táticas para não serem pegos sem nenhuma resistência.
Enquanto isso, Têmis havia sido enviada pelas moiras para se casar com Zeus. Zeus aceitou a mão de Têmis; na verdade, ela havia planejado isso para que a justiça fosse feita e que a balança fosse reequilibrada e os deuses não sofressem uma injustiça; pois a vingança de Zeus foi um reequilíbrio e Têmis ser engolida, foi gerada por medo.
Ela passou a ensinar Zeus sobre as leis divinas e a ordem, assim, ele poderia criar as leis e regras afim de que fossem usadas entre titãs e deuses. Atlas então enviou alguns titãs para onde Zeus e os outros deuses viviam. A batalha durou 5 longos dias e Zeus venceu e aprisionou os titãs no ventre de Gaia. Têmis ficou revoltada com a ação do marido, se divorciou e desapareceu.
Olympus, pediu para Zeus e os outros titãs que fosse liberto das guerras, pois Atlas estava tentando fazer com que ele entrasse na guerra; e com isso, ele pediu que servisse para sempre os deuses e que os defendesse. Sem outra escolha, os deuses o transformaram em um enorme monte, onde os deuses viveriam e tão difícil de se chegar ao topo, que seria uma fortaleza quase que impenetrável; este passou a se chamar o monte Olimpo.
Gaia se revoltou pela traição de Zeus e decidiu se vingar; criou os Andróginos, criaturas de quatro patas e quatro braços, que podiam se interligar pela coluna e se transformar em criaturas muito mais fortes. Eles escalavam o Olimpo como se subissem uma pequena colina, Zeus lançava seus raios e pediu então que convocassem os Ciclopes para lhe criarem mais raios; enquanto isso, os Hecatônquiros lutaram ao lado dos irmãos para evitar a ameaça.
Gaia perde a batalha e consegue libertar seus filhos. Muito tempo se passa, Athena nasce; Hera se casa com Zeus e Hefesto passa a ser ensinado pelos Ciclopes e cuidado por Tétis, a qual era a favor dos deuses na guerra. Uma das filhas de Atlas engravida de Zeus e então nasce o jovem Hermes; até este momento, a hierarquia do Olimpo já estava formada, os deuses já reinavam e os filhos de Zeus concordaram com a paz entre eles e os titãs. Porém, os titãs queriam a luta contra Zeus e destruí-lo de qualquer forma. Com o nascimento de Dionísio, Hera resolveu matá-lo da forma mais cruel; o levou até Atlas e os outros titãs e disse:
"Venho em paz, por livre e espontânea vontade. Venho lhes oferecer parte do sangue de Zeus; esta criança é filha de seu tão odiado inimigo, e agora, lhes entrego. Sabe-se também que ele ajudará o pai a exterminar os titãs."
Após aquelas palavras, os titãs se lançaram sobre o bebê e o devoraram raivosamente, Hermes pegou o coração do bebê enquanto Athena lutava contra os titãs. Aquilo enfureceu os titãs logo queriam atacar.
Hélios perdeu o controle de sua carruagem solar de uma forma que a terra começou a se incendiar, sem outra escolha, Zeus lançou um raio em seu peito para matá-lo; sem forças, Apollo assumiu o trono do titã e se tornou deus Sol.
Selene se apaixonou por um humano e pediu que Zeus o imortalizasse, porém, também lhe foi dado um sono eterno. Por paixão, Selene o deitou em uma caverna e lá passou a viver com ele; cedendo seu trono para Artemis.
Hades havia criado um lugar onde apenas as piores almas seriam enviadas, o Tártaro; em uma reunião entre os deuses, foi pedido que uma parte do Tártaro estivesse separada apenas para os titãs. Assim o fizeram, Hades escolheu o local e Hefesto, junto a Poseidon e os Ciclopes forjaram os portões onde nem mesmo todos os titãs juntos poderiam destruir.
Mais algum tempo se passou e os titãs iniciaram sua rebelião final. Enquanto alguns ficavam em terra, outros tentavam subir no Olimpo; todos eles eram guiados por Atlas e Gaia. Foi uma época caótica, terremotos, maremotos e todos os desastres naturais estavam acontecendo. Zeus enfrentou Atlas com seus raios durante muito tempo pela proteção do Universo e dos céus, Poseidon lutava com Oceanus para que as águas não matassem toda a vida terrestre e Hades, lutava contra o Tártaro; quando ele criou o submundo, criou junto com ele um titã que o representava. Este titã era extremamente demoníaco, competia com o deus pelo controle das almas.
Hefesto estava sem descanso há dias, forjando armas e raios para os deuses junto com os Ciclopes. Artemis teve de ser enviada para caçar qualquer titã em Terra, tendo matado alguns deles. Apollo observava nos céus o movimento dos titãs e através de Hermes avisava os deuses; com suas flechas, conseguia atrasá-los, pois o máximo que acontecia ao serem atingidos era o cansaço, enquanto se um deus fosse atingido por elas, poderiam ser mortos.
No Olimpo, as deusas ficaram protegidas pelas muralhas que eram defendidas pelos Hecatônquiros e por Dionísio. Alguns titãs conseguiram subir nos templos e lá foram persuadidos por Hera, Perséfone e Afrodite, as três mais belas; enquanto isso, Dionísio se transformava em um leão gigantesco e os engolia.
A batalha estava acirrada, sem ganhadores ou perdedores definidos, mas os deuses sozinhos estavam ficando sem muitos recursos; Pan começou a convocar todos os seus sátiros e centauros para que avisassem as ninfas e mandassem a mensagem de que os deuses necessitavam de ajuda urgente. Centauros e minotauros se prontificaram para a defesa das cidades enquanto os sátiros e ninfas protegiam os animais e as florestas. Órion convocou seus irmãos e foram ajudar Artemis (até então, não eram enamorados); quando Apollo desceu para ajudar sua irmã, o Universo entrou no período das trevas, o Sol não mais iluminava, não havia dia nem noite; Eos subiu ao trono que pertencia a sua irmã e irmão e lá deu o brilho da aurora para guiar os deuses; ainda assim não era o necessário. Perséfone desceu ao submundo e convocou a hierarquia que seu marido havia criado. Os deuses da morte, da dor e da agonia entraram em aliança com Ares e seus filhos; então Zeus percebeu que, para vencer os titãs, seriam necessários os próprios titãs.
Num grito de desespero, Hera convocou Hermes e pediu que chamasse todos os titãs aliados. Tétis e seus filhos ajudaram Poseidon contra seu marido; Têmis recorreu a sua espada, trazendo a justiça, a qual nunca tarda ou falha; e por fim, Nêmesis percebeu que em sua ampulheta, as areias já haviam terminado de marcar o tempo, então ela convocou todos os titãs para lutarem ao lado dos deuses e Hécate usou sua magia para desnortear os titãs e clarear os pensamentos dos deuses.
Foi então que o fim da guerra se iniciou, sob a espada de Têmis e Nêmesis, os titãs rebeldes desistiram da tentativa e foram jogados no Tártaro para que sofressem e nunca mais fugissem do submundo. Os Ciclopes e Hecatônquiros decidiram guardar os portões do Tártaro para que ninguém os abrisse.
A vitória estava decidida, os deuses haviam ganho a guerra e trouxeram novamente a paz para o Universo.

O destino dos titãs:
Alguns titãs ficaram destinados a penas mais cruéis do que vagarem pelo Tártaro.
Cronos estava preso e perdido no deserto, assim como no Tártaro, não tinha companhia, nem comida nem bebida; mas o seu desespero era feito por saber que estava no mundo dos vivos e não conseguir encontrar a saída.
Atlas foi incumbido de segurar os céus sob seus ombros (algumas versões dizem que é o mundo), assim suportaria o peso todo em suas costas e Zeus não teria mais que zelar por Urano.
Oceanus foi aprisionado no canto mais profundo dos mares, onde não podia ouvir o cantar das sirenes e nem ver o Sol, que tanto lhe agradava.
Tifão, um dos titãs dos ventos, foi aprisionado em uma montanha gelada; assim, sentiria o frio e não poderia mover seus membros; aprisionado na prisão de pedra, não teria forças para fugir.
Prometeus, pela sua audácia de roubar o fogo de Apollo, foi acorrentado aos pés de uma montanha e todos os dias uma águia comeria seu fígado, durante a noite, ele se regeneraria e na manhã seguinte, sentiria as dores novamente pelo regresso da ave.
Os outros titãs rebeldes foram aprisionados no Tártaro.
Alguns titãs receberam gratificações por terem ajudado os deuses.
Têmis voltou ao Olimpo sob convite dos deuses.
Nêmesis recebeu o mesmo convite, porém escolheu viver em terra, pois os humanos sempre a convocam.
Hécate ganhou um trono entre o Olimpo e o submundo; passou a fazer parte da hierarquia Olímpica e Cnótica (ver postagem sobre Hades), estando muitas vezes ao lado de Artemis.
Tétis foi considerada por Poseidon, uma sub-regente dos mares, onde ela assumiria o controle quando ele estivesse no Olimpo.
Gaia ascendeu ao Olimpo após se redimir pelos erros. Como Zeus e seus irmãos sabiam sobre a forma que Gaia agia, sabiam que era comum esta forma de defesa; afinal, eles também haviam cometido erros.

Por que titãs de gerações mais avançadas foram mortos e os de gerações mais antigas não?
Um dos fatos de grande curiosidade nas guerras titânicas é que muitos titãs morreram; entretanto, estes eram titãs de quarta geração em diante. Muitos se perguntam "Por que não matar Atlas e os outros?", a demora da guerra ser concluída é pelo fato de que os titãs precisavam ser imobilizados.
Se algum deles fosse morto, a própria natureza estaria morrendo. Por exemplo, se Oceanus fosse morto, o Oceano inteiro desapareceria; o que aconteceu com alguns rios, que eram seus filhos, quando foram mortos, estes rios deixaram de existir.
Existe também outro fato muito importante para os titãs não terem sido mortos. Mesmo mais fortes que eles, os deuses não possuíam o controle da natureza; então a prisão dos titãs geraria automaticamente um controle sobre a energia da natureza que eles controlavam.
Com o controle sobre Cronos, Zeus controlava o tempo. Sobre Oceanus, Poseidon tinha total controle sobre a água; sobre o Tártaro, Hades controlaria todas as almas; e assim por diante.

Um enorme abraço para todos e a seção de mitologia grega se despede por aqui com um titânico adeus e desejos de que as pessoas tenham lido e adquirido algo, desde o simples conhecimento até o mais profundo sentimento.

Nova área do Baú e primeira crônica

Olá pessoas! Como estão passando este dia?
Gostaria de dizer que hoje uma nova repartição será aberta no Baú! Para quem gosta de ler nos jornais, mas vive na internet ou gosta, porém, não compra jornal para lê-las; seus problemas acabaram!
Ainda não sabe sobre o que se trata?
Bom, a partir de hoje a área de "Crônicas/Contos" estará disponível e sempre que possível, atualizada! Vamos começar!

Meu pai e minha virgindade
Como posso começar a contar o que aconteceu? É realmente difícil para eu ter de contar o acontecido; depois que meus amigos e parentes souberam, nunca mais me olharam com olhos normais.
Sempre me olham com piedade e com um olhar de "Pobre garota", poxa vida, é constrangedor e embaraçoso; já não bastava ele ter feito aquilo comigo? Muitos dizem que se sentem sem rumo, sozinhos no mundo e vêem as pessoas como seres de outro planeta; devo admitir que a sensação seja terrível nos primeiros dias que se seguem depois do acontecido, mas depois, a vida continua; afinal, a vida deve continuar.
Lembro-me que meu pai estava viajando a negócios e já estava fora por algumas semanas; em casa estávamos apenas eu e minha mãe, tudo muito calmo. Ela estava ligando para todo mundo da família e amigos os convidando para a minha festa de meu aniversário que seria no dia seguinte. Às 21 horas, o telefone tocou e eu atendi; era meu pai dizendo que já estava chegando em casa. Às 22 horas, ele já havia chego; foi muito bom matar as saudades e colocar a conversa em dia.
O cansaço logo me venceu e fui me deitar, subi as escadas e fui ao meu quarto, rapidamente me deitei e tentei dormir. Na cozinha, embaixo do meu quarto, eu escutei minha mãe dizendo ao meu pai que não queria que ele fizesse aquilo e que ele não devia forçar a nada, a única resposta vinda dele foi um alto "hunf" de insatisfação; logo pensei, deve ser um momento entre o casal, melhor não incomodar.
No dia seguinte, o celular despertou e me levantei; aquele dia 22 tinha tudo para ser perfeito! Adoro setembro, o início da primavera, os pássaros cantando, sem aquele frio de lascar!
Tomamos um belo café em família e de tarde fomos a casa dos meus tios, eu havia ganho um farto churrasco de aniversário, família toda reunida; todos dançando e se divertindo, mas meu pai estava lá, sentado, não sorria nem demonstrava nenhuma alegria ou algo do gênero. Perguntei a minha mãe e ela não quis tocar no assunto. No fim do churrasco, ele me chamou de lado e disse que queria me mostrar algo em casa; entramos no carro e fomos embora.
Ele me chamou na garagem e fechou a porta a chaves e disse que fazia aquilo para que se minha mãe ou algum parente chegasse, não o pegasse fazendo aquilo comigo. O meu coração deu uma leve acelerada, por que trancar a porta?
Ele revirou uma antiga caixa e num rápido movimento, me jogou contra a parede, ficou parado em minha frente com as mãos em meu peito e pediu que eu não fizesse nenhum som. A adrenalina tomou conta de mim e o suor escorria pela testa, queria sair dai o mais rápido possível. Ele passou a mão em meus cabelos, beijou minha bochecha e disse que não queria fazer aquilo, pois a mamãe se sentiria traída pela confiança que sempre depositou nele.
Ele colocou o indicador dele em meus lábios, num sinal de silêncio e estendeu a outra mão em minha direção, eu me debatia como louca; foi então que vi a minha certidão de nascimento nas mãos dele e tudo o que ouvi foi:
-Filha, você nasceu no dia 23 de Setembro, não no dia 22. Seu aniversário é amanhã, mas sua mãe nunca deixou que eu contasse isso, pois pensou que seria indiferente; mas só queria que você soubesse!
Foi então que caiu minha ficha e gritei:
-Putz, não sou mais de Virgem, sou de Touro!
Escrito por Felipe M.

Related Posts with Thumbnails